sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fósseis na Espanha podem ser do mais velho ancestral de panda gigante


Mandíbulas e dentes achados (Foto: Abella J, Alba DM, Robles JM, Valenciano A, Rotgers C et al/Divulgação)





Pandas gigantes são naturais da China e estão seriamente ameaçados de extinção (Foto: Reuters)




Mandíbulas e dentes de animais foram achados por equipe da Catalunha.
Ossos têm 11,6 milhões de anos e revelam adaptação para comer bambu.

Dois fósseis descobertos na Espanha podem ser dos mais antigos ancestrais conhecidos do panda gigante asiático.

O achado foi feito pela equipe do pesquisador Juan Abella, do Museu Nacional de Ciências Naturais e do Instituto Catalão de Paleontologia, e publicado nesta quarta-feira (14) na revista científica "PLoS One".

As mandíbulas e os dentes de 11,6 milhões de anos representam um novo gênero dessa família de pandas. Os ossos revelam que esses ursos, da espécie Kretzoiarctos beatrix, estavam adaptados para comer material vegetal resistente, como o bambu.

O panda gigante, nativo da China, é o único membro vivo da espécie a ter esse tipo de hábito alimentar.

"O novo gênero que descrevemos nesse trabalho não é apenas o primeiro urso registrado na Península Ibérica, mas também o primeiro da linhagem do panda gigante", destaca Abella.

domingo, 11 de novembro de 2012

Cientistas descobrem fósseis de nova espécie de hominídeo na África



Fóssil do Australopithecus afarensis; à direita, as costas da ossada (Foto: Divulgação/Dikika Research Project)



Pesquisa publicada na 'Science' analisou ossos dos ombros de hominídeo.
Fóssil foi comparado a macacos, humanos e outros ancestrais do homem.


Pesquisadores da Academia de Ciências da Califórnia e da Universidade Midwestern, ambas nos Estados Unidos, analisaram ossos dos ombros de um dos mais conhecidos ancestrais do homem moderno, o Australopithecus afarensis. O estudo sugere que, apesar de bípedes, os hominídeos costumavam escalar árvores com frequência, com estilo de vida parcialmente arbóreo.

A pesquisa foi publicada no site da revista "Science" nesta quinta-feira (25). Por muito tempo, o Australopithecus afarensis foi considerado o ancestral mais antigo do homem. A ossada mais famosa deste hominídeo foi descoberta na década de 1970 e ficou conhecida como "Lucy".

O fóssil estudado desta vez é conhecido como "Selam", fêmea de Australopithecus afarensisque viveu há cerca de 3,3 milhões de anos, segundo os cientistas.

Os ossos dos ombros foram mapeados e digitalizados para facilitar a análise. Eles foram comparados com ossos de outros ancestrais do homem, como o Homo ergaster, o Homo floresiensis e com vários primatas, como gorilas e chimpanzés, além de seres humanos.

Especificamente o local de encaixe para a articulação do ombro do Australopithecus afarensis apontava para cima, sinal de que eles eram escaladores, dizem os cientistas. A característica também é encontrada nos ossos dos macacos, mas não não acontece nos humanos. Em nossa espécie, o local de encaixe está voltado para a lateral, segundo os pesquisadores.

Além de subir em árvores, característica que aproxima o hominídeo dos macacos atuais, o estudo mostra que a anatomia dos ossos dos ombros do Australopithecus afarensis era similar na juventude e na fase adulta, sinal encontrado ainda hoje em espécies de primatas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fóssil de animal de 520 milhões de anos tem cérebro bem preservado


Fóssil de artrópode encontrado por cientistas; detalhe mostra estruturas neurais fossilizadas (Foto: Divulgação/Xiaoya Ma/Nicholas Strausfeld)


Artrópode fossilizado tem estrutura neural similar a insetos, dizem cientistas.
Estudo publicado na 'Nature' indica que cérebro evoluiu antes do imaginado.


Uma pesquisa da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, em conjunto com o Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, analisou o fóssil de um artrópode pré-histórico com estruturas do cérebro bem preservadas. O estudo do fóssil descoberto, segundo os cientistas, indica que cérebros anatomicamente complicados evoluíram antes do que o imaginado na história da vida na Terra.

A pesquisa foi publicada no site da revista "Nature", nesta quarta-feira (10). Encontrado em pedras depositadas na China há cerca de 520 milhões de anos, o fóssil é um dos mais antigos já identificados a ter estruturais neurais, dizem os cientistas. "Nós reconhecemos como sendo um cérebro devido ao seu tamanho e posição, comparáveis ao cérebro de um crustáceo, como um tipo de camarão pequeno", disse o paleontólogo Gregory Edgecombe, do Museu de História Natural de Londres, ao site da "Nature".

Para Edgecombe, existe uma semelhança impressionante na anatomia neurológica do artrópode com os insetos modernos e alguns tipos de crustáceo. Essa semelhança indica que o cérebro do artrópode evoluiu para permitir que ele tivesse uma boa estrutura de visão.

A espécie de artrópode encontrada (Fuxianhuia protensa) está extinta há muito tempo, e foi descrita na pesquisa publicada. Os artrópodes são um grande filo de animais que incluem atualmente insetos, aracnídeos e crustáceos.

O fóssil pode ser o "vínculo perdido" que ajudará a entender a história da evolução dos artrópodes e de seus cérebros, dizem os pesquisadores. O cérebro do animal fossilizado é composto de três segmentos, todos unidos na entrada da boca, e há traços de tecidos neurais no lugar onde estariam os olhos.

"Ninguém esperava que um cérebro assim tivesse evoluído tão cedo na história dos animais multicelulares", disse no estudo o neurobiólogo Nicholas Strausfeld, da Universidade do Arizona, um dos co-autores da pesquisa.

Segundo Strausfeld, biólogos e paleontólogos ainda têm muitos pontos a discutir sobre como os artrópodes evoluíram, especialmente sobre como era o ancestral comum que deu origem aos insetos. A descoberta de um cérebro complexo como o do artrópode pré-histórico pode ajudar a esclarecer algumas da hipóteses sobre a evolução destes animais.

Cientistas descobrem fóssil raro de ataque de aranha contra presa




Fóssil de aproximadamente 100 milhões de anos é o primeiro a registrar ataque de aranha, dizem cientistas (Foto: Divulgação/Oregon State University)


Trata-se do primeiro registro de ataque de aranha do mundo, diz pesquisa.
Fóssil em peça de âmbar tem cerca de 100 milhões de anos.


Pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, descobriram o que dizem ser o primeiro fóssil já encontrado de uma aranha atacando sua presa, de 100 milhões de anos aproximadamente, datando do início do período Cretáceo.

O fóssil raro está em uma peça de âmbar e mostra o ataque do aracnídeo em sua teia contra uma vespa, segundo os cientistas. A peça contém ainda o corpo de uma aranha macho na mesma teia, e foi encontrada em um vale em Mianmar, na Ásia, relata o site da universidade.

A descoberta foi publicada no periódico "Historical Biology". Para os pesquisadores, o âmbar registra a evidência mais antiga de comportamento social entre aranhas, com os dois aracnídeos juntos na teia. O comportamento é muito raro, mas existe ainda hoje em algumas espécies, segundo os cientistas.

Os pesquisadores acreditam que as primeiras aranhas surgiram no planeta há cerca de 200 milhões de anos, mas os fósseis mais antigos datam de cerca de 130 milhões de anos, afirma o site da Universidade Estadual do Oregon.

Tanto a aranha quanto a vespa encontradas no fóssil pertencem a espécies extintas e foram descritas na pesquisa.

Fóssil de tartaruga mais antigo já encontrado é apresentado na Polônia





Da Reuters



Tartaruga apresentada no fóssil viveu há cerca de 250 milhões de anos (Foto: Reuters/Peter Andrews)





O fóssil destaca um dos ossos da tartaruga (Foto: Reuters/Peter Andrews)





Tomasz Sulej limpa o fóssil da tartaruga (Foto: Reuters/Peter Andrews)



Animal viveu há cerca de 250 milhões de anos.
Pesquisa foi liderada pelo especialista Tomasz Sulej.


Cientistas poloneses apresentaram nesta segunda-feira (3) o fóssil mais antigo já encontrado de uma tartaruga. O animal que deixou na rocha vestígios claros de seu casco viveu há cerca de 250 milhões de anos, segundo Tomasz Sulej, do Instituto de Paleobiologia de Varsóvia, pesquisador responsável pela descoberta.

Sulej contou ainda que o fóssil foi encontrado perto da vila de Poreba, em uma região conhecida como Jura Krakowsko-Czestochowska. Essa área montanhosa fica a cerca de 200 km da capital Varsóvia, e foi palco de alguns dos principais achados pré-históricos da Polônia.

Fósseis de tartarugas copulando são encontrados no interior da Alemanha







É o 1º caso de coito interrompido na natureza em que se acharam fósseis (Foto: Spiegel online/Reprodução)



É a primeira vez que são achados esqueletos de animais durante ato sexual.
Répteis podem ter sido vítimas de armadilha em lago onde estavam.




Dois fósseis de tartarugas fazendo sexo foram descobertos na localidade de Messel Pit, a 35 quilômetros da cidade de Frankfurt, na Alemanha.

É a primeira vez que os esqueletos de animais são encontrados durante o acasalamento, segundo os pesquisadores. Os resultados do achado estão descritos na versão online da revista “Biology Letters”.



Os répteis da espécie Allaeochelys crassesculpta foram provavelmente vítimas de uma armadilha e afundaram no lago onde estavam, há 47 milhões de anos. As camadas mais profundas do lugar poderiam concentrar gases vulcânicos ou outras substâncias tóxicas.


O local da descoberta já foi uma cratera vulcânica profunda, em um ambiente tropical bastante úmido. Essa abertura era originalmente uma pedreira de onde se extraía óleo de xisto. Ao longo dos anos, tornou-se a região mais rica do mundo para entender como foi a vida no período geológico Eoceno, que pertence à era Cenozoica e está compreendido entre 57 milhões e 36 milhões de anos atrás. Foi nesse momento que surgiram animais como cavalos, répteis, primatas, abelhas, morcegos e aves gigantes.



As tartarugas mortas durante a cópula eram relativamente pequenas, com cerca de 20 centímetros de comprimento, e se parecem com a espécie nariz-de-porco (Carettochelys insculpta) da Austrália e Nova Guiné, mas bem menores. Elas provavelmente se alimentavam de insetos, pequenos crustáceos e frutos.


Segundo o pesquisador Walter Joyce, as chances de ambos os parceiros morrerem em um acasalamento são extremamente baixas, e a probabilidade de os dois serem preservados em fósseis é ainda menor.

Análises sugerem que a espécie descoberta e seus parentes extintos perderam quase todas as escamas. Assim como os primos vivos mais próximos, aquelas tartarugas podem ter sido capazes de absorver o oxigênio da água pela pele, ajudando-as a permanecerem submersas por um tempo prolongado.

Curiosamente, 18 tartarugas fósseis foram encontradas em pares. Aparentemente, tratavam-se de casais que morreram fazendo sexo nesse "abismo". As fêmeas eram ligeiramente maiores que os machos, com rabos curtos e uma concha articulada que pode tê-las ajudado a pôr ovos grandes.

Atualmente, as tartarugas costumam começar o ato sexual em águas abertas e vão afundando durante o acasalamento.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Novos estudos refutam existência de vida com base em arsênio






Lago Mono, na Califórnia (Foto: AP Photo/Ben Margot, arquivo)


Em 2010, pesquisa da Nasa descobriu forma de vida desconhecida.
Pesquisas foram publicadas pela revista "Science".


Dois estudos publicados neste domingo (8) pela revista “Science” refutam uma descoberta de 2010, que descrevia bactérias com o elemento químico arsênio em sua formação.

A vida como conhecemos só pode ser formada por carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. A existência de uma bactéria com arsênio em sua formação significaria a possível existência de formas de vida bem diferentes, o que incluiria seres fora da Terra.

Em dezembro de 2010, a revista “Science” publicou uma pesquisa assinada por Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, que descrevia uma bactéria encontrada no Lago Mono, no estado norte-americano da Califórnia. Essa bactéria teria o arsênio no lugar do fósforo, em sua composição.

Desde então, muitos cientistas vêm questionando a pesquisa. Neste domingo, foram publicados resultados obtidos por duas equipes diferentes, que fizeram testes independentes com a mesma bactéria. Nenhuma das duas encontrou arsênio na composição da bactéria, e os autores de ambas acreditam que uma contaminação possa ter alterado os resultados do estudo original.

Segundo uma nota emitida pela revista “Science”, os novos trabalhos mostram que a espécie “não quebra as duradouras regras da vida, ao contrário do que Wolfe-Simon tinha interpretado com os dados de seu grupo”.

Contudo, Felisa Wolfe-Simon continua segura de que suas conclusões iniciais estão corretas. Por e-mail, ela informou à agência Associated Press que “não há nada nos dados desses novos artigos que contradiga nossos dados publicados”.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo







Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)


Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.

Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.



Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Relógio biológico evoluiu de forma similar em todos os seres vivos








Em Londres

O relógio circadiano, que rege o ritmo biológico dos seres vivos e se ativa a cada 24 horas, evoluiu há 2.500 milhões de anos de forma parecida em todos os seres vivos, informou nesta quarta-feira a revista britânica Nature.

Uma pesquisa liderada pelo neurocientista Akhilesh Reddy, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), mostra pela primeira vez que o chamado relógio biológico evoluiu de forma muito parecida desde o início da vida em todos os organismos, inclusive as bactérias, e que suas características são similares.


"Até agora se pensava que o relógio circadiano dos diferentes organismos tinha evoluído separadamente, e que cada um estava controlado por genes e proteínas diferentes. Nosso trabalho unifica a forma na qual o relógio interno controla o tempo", explicou Reddy à Agência Efe.


O relógio circadiano, responsável da regulação de um grande número de processos biológicos como o apetite, o sono e a vigília, está presente em todas as células, menos nas cancerígenas e funciona graças à produção de uma proteína denominada peroxirredoxina.


Os pesquisadores associam alterações nesta proteína com desordens como a obesidade, o diabetes, a insônia, a depressão, as doenças coronárias e o câncer, e por isso confiam que este estudo permitirá futuros avanços em relação a estas doenças.


Em um estudo divulgado no ano passado, Reddy já tinha conseguido demonstrar que os humanos não eram os únicos possuidores deste relógio biológico, que também pode ser encontrado em todos os demais organismos cujo DNA se encontra no núcleo das células, como animais e plantas.


Mediante a observação das mudanças químicas que a peroxirredoxina sofre durante o dia e a noite em ratos, moscas da fruta, fungos e bactérias, sua equipe descobriu agora que até as formas de vida mais primitivas, inclusive organismos sem núcleo, também estão reguladas por este relógio interno.


"É muito provável que todos os seres vivos tenham um mecanismo similar para medir o tempo em ciclos de 24 horas, o que representa uma descoberta completamente nova que nos permitiria investigar os ritmos circadianos em organismos nos quais não se suspeitava que os tivessem", declarou Reddy.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dinossauros herbívoros já estavam em decadência quando asteroide caiu na Terra







Até o fim do Cretáceo, os grandes dinossauros herbívoros estavam em decadência



Os grandes dinossauros herbívoros já estavam em decadência, ao contrário dos carnívoros, quando um meteorito provocou o desaparecimento de todos esses répteis ao cair na Terra há 65 milhões de anos, indica um estudo publicado nesta terça-feira (1º).
"Muita gente acha que a extinção dos dinossauros se deveu a um asteroide que matou todos eles", afirma o paleontólogo do Museu de História Natural de Nova York, Steve Brusatte.
"Hoje podemos dizer que, provavelmente, as coisas foram mais complicadas", acrescentou.
Alguns cientistas acreditam que os dinossauros terrestres desapareceram depois que um meteorito atingiu a Terra no período Cretáceo-Terciário.
Já o estudo publicado pela Nature Communications se baseia na comparação das estruturas dos esqueletos de 150 espécies diferentes de dinossauros terrestres para ver como mudaram com o tempo. O objetivo era saber se uma espécie declinava ou, ao contrário, estava aumentando suas possibilidades de sobrevivência.
Dessa forma, chegou0se à conclusão de que os grandes herbívoros com chifres ou bico de pato reduziram sua variedade durante os 12 últimos milhões de ano do Cretáceo.
"Estes dinossauros estavam se tornando cada vez mais parecidos uns com os outros, estavam perdendo a variedade. No geral, quando se vê uma redução da anatomia de um tipo, isso quer dizer que o grupo está em dificuldades", assegurou.
Ao contrário, os grupos que aumentam sua variedade têm maiores possibilidades de sobreviver porque podem ocupar novos nichos de habitat ou adaptar-se melhor à mudança, segundo o pesquisador.
Até o fim do Cretáceo, os grandes dinossauros herbívoros estavam em decadência, mas os grandes carnívoros e os herbívoros de tamanho médio prosperavam.
"O que se pode dizer com seriedade agora é que, quando o asteroide caiu e começaram as erupções vulcânicas, não atingiram um mundo no qual tudo estava indo bem, um mundo estático", avaliou Brusatte.
"Naquela época, os dinossauros, ou pelo menos alguns deles, conheciam importantes mudanças evolutivas e pelo menos esses herbívoros grandes estavam em decadência", concluiu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Seleção natural afeta humanos mesmo com vida em sociedade

 

 

 

 

Seleção sexual continua atuando, apesar da prática da monogamia.
Conclusão é de estudo apresentado pela revista científica "PNAS".

 

 

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo

Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) pela revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências, indica que o ser humano continua sendo influenciado pela evolução, mesmo com as mudanças culturais ocorridas nos últimos 10 mil anos, desde que a Revolução Agrícola levou ao surgimento das civilizações. 
Mesmo em uma sociedade monógama, os humanos estão sujeitos à seleção sexual, um aspecto essencial na teoria da evolução de Charles Darwin. Por esse conceito, o sucesso de um indivíduo é medido pela quantidade de descendentes que ele deixa. Assim, suas características genéticas são deixadas para as gerações seguintes e tendem a se perpetuar na espécie.
“É como um livro. Se ele é bom, é reeditado várias e várias vezes”, comparou Alexandre Courtiol, pesquisador do Instituto Wissenschaftskolleg de Berlim, na Alemanha, um dos autores do estudo.
Segundo ele, o estudo serve como uma evidência contra a suposição de que a vida em sociedade teria deixado os humanos “imunes” à evolução.
A pesquisa foi feita com base em dados de cerca de 6 mil finlandeses que viveram entre os anos de 1760 e 1849. As informações mantidas pela Igreja dizem respeito a mortes, nascimentos, casamentos e situação econômica de cada um.
Foi o suficiente para que a equipe internacional de pesquisadores investigasse o efeito da seleção sexual, analisando o número de filhos de cada indivíduo.
A equipe de Courtiol chegou à conclusão de que os principais fatores que levaram à variação no sucesso reprodutivo dos indivíduos foram a sobrevivência aos primeiros anos de vida e a fertilidade. A riqueza não provocou diferenças significativas neste aspecto.
De forma geral, a possibilidade de seleção detectada nesta população humana está de acordo com medições feitas em outras espécies.
Courtiol afirmou, no entanto, que ainda não é prever como evolução pode afetar o futuro dos seres humanos. 

Estudo mostra seleção natural entre humanos em cidade canadense

 

 

 

Pesquisa analisou idade com que mulheres tiveram primeiro filho.
Segundo o autor, esse é o primeiro caso que comprova mudança genética.

 

 

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo

Um estudo publicado nesta segunda-feira mostra que os seres humanos estão em evolução e que é possível haver mudanças genéticas de uma geração para a outra. A descoberta contraria a hipótese de que os avanços tecnológicos e culturais teriam neutralizado os efeitos da seleção natural.
Os pesquisadores da Universidade de Quebec, em Montreal, Canadá, chegaram a essa conclusão depois de estudar dados das mulheres da cidade de Ile aux Coudres, também no Canadá, durante 140 anos. De 1799 a 1940, quando o lugar era habitado por fazendeiros e pescadores, a idade média em que elas tiveram o primeiro filho caiu de 26 para 22 anos.
Engravidar mais jovem é uma vantagem biológica, pois permite a formação de famílias maiores e a gestação é mais saudável. “No contexto cultural deles, isso não era um problema e não havia controle de natalidade”, disse ao G1 Emmanuel Milot, autor principal do estudo publicado pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A análise estatística mostrou que a redução da idade média do primeiro parto foi consequência de uma mudança genética causada pela seleção natural. “Esse é o primeiro caso que comprova mudança genética”, afirmou Milot. Segundo ele, outros estudos recentes também indicam que a seleção natural ocorre entre humanos, mas nenhum tinha confirmado as mudanças genéticas.
O artigo sugere ainda que as políticas públicas relacionadas a questões como demografia e saúde precisam levar em conta as mudanças genéticas que podem ocorrer na população.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Biólogos descobrem 24 espécies de lagarto, e todas estão ameaçadas


Tipo de lagarto nativo da Jamaica (Foto: Joseph Burgess, Penn State University)



Tipo de lagarto nativo de Antigua (Foto: Karl Questel, Penn State University)

 

 

Animais da família 'Scincidae' são nativos do Caribe.
Predador reduz a população dos lagartos desde o século 19.


Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) descreve 24 espécies ainda desconhecidas de lagarto que vivem na região do Caribe. Ao mesmo tempo em que entram nas páginas da “Zootaxa”, revista científica que traz a novidade, as espécies já vão para a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).


Os lagartos recém-descobertos são todos da família Scincidae. Embora sejam semelhantes aos lagartos comuns, eles possuem características próprias. Alguns destes lagartos, em vez de pôr ovos, geram os filhotes dentro do ventre.

Blair Hegdes, pesquisador da Universidade da Pensilvânia e autor do estudo, acredita que esta peculiaridade esteja entre os fatores que colocaram em risco a existência destes animais. As fêmeas grávidas são mais lentas e vulneráveis aos predadores.

O principal predador dos lagartos é o mangusto, um mamífero carnívoro de pequeno porte. Os colonizadores levaram este animal da Índia para a região no século 19 para controlar o aumento da população de ratos, que tinham se tornado uma praga para as plantações de cana.

Além de atacar os ratos, os mangustos rapidamente incluíram os lagartos na dieta. A população dos répteis é muito pequena desde o início do século passado, por isso levou tanto tempo até que cientistas os descobrissem.

Os lagartos têm pequenas diferenças entre si que justificam a separação em tantas espécies. Desde o século 19, não havia na ciência a descrição de mais de 20 espécies de répteis de uma só vez.

Raciocínio lógico pode afetar fé em Deus, diz pesquisa





 











REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA+SAÚDE"



 Luciana Whitaker/Folhapress


Exposição a imagens de 'O Pensador' e verbos como 'ponderar' faz as pessoas se declararem menos religiosas


O "ministério da cultura" adverte: contemplar a escultura "O Pensador", do francês Auguste Rodin (1840-1917), pode fazer com que você fique menos religioso.

A frase soa como loucura, mas esse é um dos achados de um estudo que acaba de sair na revista "Science".

Trata-se, na verdade, de um caso particular de um fenômeno mais amplo: aparentemente, levar as pessoas a pensarem de modo mais "racional", por meio de influências sutis (como a exibição da célebre imagem do homem refletindo), reduz as tendências religiosas dos sujeitos.

A pesquisa é assinada por Ara Norenzayan e Will Gervais, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), que estão entre os mais destacados estudiosos da psicologia da religião.

Eles partiram de uma hipótese apoiada por outros estudos, segundo a qual pessoas religiosas preferem usar a intuição ao processar dados, enquanto os não religiosos usam o raciocínio detalhado.

Os religiosos, por exemplo, acabam caindo com mais facilidade em "pegadinhas" lógicas, independentemente de seu QI ou nível educacional.

A dupla de pesquisadores combinou esse dado com uma técnica comum de psicologia experimental, o chamado "priming", que envolve o uso de um estímulo prévio para "preparar" a mente do participante de forma a reagir de certa maneira.

Sabe-se que o "priming" funciona em contextos educacionais. Se alunos de uma escola da periferia leem, antes de uma prova de ciências, sobre garotos pobres que se tornaram grandes cientistas, tiram notas melhores.

No estudo canadense, dezenas de voluntários tinham de realizar tarefas, metade das quais poderia levar a um "priming" do pensamento analítico, enquanto a outra metade era neutra.

Sabe-se que até ler um texto com letras miúdas pode favorecer a ativação desse tipo de raciocínio.

Os voluntários que fizeram as tarefas "analíticas" tiveram menos propensão a se declarar religiosos depois.

Para os pesquisadores, um motivo possível para isso é que a religiosidade depende de processos mentais intuitivos, como detectar "personalidade" no mundo -mesmo em contextos inanimados, como a natureza, o que levaria à crença em deuses. O raciocínio analítico poderia bloquear isso.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ursos polares surgiram há 600 mil anos, afirma estudo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Urso polar no norte do Canadá (Foto: Hansruedi Weyrich/Science/AAAS)
 
Espécie é pelo menos quatro vezes antiga do que outras pesquisas diziam.
Adaptação do animal às mudanças globais pode ser difícil, dizem autores.

Um estudo publicado nesta quinta-feira (19) mostrou que os ursos polares existem há cerca de 600 mil anos, pelo menos quatro vezes mais do que os estudos anteriores estimavam. O resultado publicado pela revista “Science” não é apenas uma mera curiosidade, e pode ter implicações sobre o futuro da espécie.
A descoberta de que o urso polar é mais antigo do que se imaginava significa também que sua evolução foi mais lenta. Coincidência ou não, há 600 mil anos a Terra registrou temperaturas extraordinariamente baixas.

A equipe liderada por Frank Hailer, do Instituto Senckenberg de Pesquisas Naturais, em Frankfurt, na Alemanha, aponta uma possível relação entre a queda de temperatura e a evolução dos ancestrais dos ursos, que levou ao surgimento dos ursos polares.

Os autores acreditam que o processo de adaptação ao frio tenha sido lento, e temem pelo futuro dos animais. Os ursos polares já sobreviveram a outros aquecimentos globais, mas não tão rápidos quanto o atual – que é acelerado pela ação do homem. A falta de tempo de adaptação às mudanças climáticas pode significar uma séria ameaça à espécie, no raciocínio dos autores.

O atual estudo chegou a dados mais precisos porque usou uma metodologia diferente. A pesquisa que estimou a idade dos ursos em cerca de 150 mil anos analisou o DNA mitocondrial, que traça apenas a origem materna dos animais. Agora, o cálculo foi refeito com informações do DNA do núcleo da célula, mais detalhadas, e o novo resultado foi obtido.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Lacuna geológica explica explosão evolutiva há 600 milhões de anos

 
 
 
 
 
Trilobita do período cambriano, com a casca feita
de carbonato de cálcio
(Foto: Shanan Peters/Divulgação)
 

Mudanças na maré provocaram erosão e deixaram rastro nas rochas.
Processo alterou química da água e provocou mudanças nos seres vivos.

 
 
Há muito tempo, os biólogos sabem que, há cerca de 530 milhões de anos, o mundo passou por um período conhecido como “explosão cambriana”, quando organismos mais simples evoluíram para uma forma mais parecida com a que temos hoje, com o surgimento dos vertebrados.
Há muito tempo, os geólogos conhecem um fenômeno chamado “grande discordância”. Em alguns locais, como no Grand Canyon, nos Estados Unidos, pedras arenosas com 525 milhões de idade ficam lado a lado com rochas bem mais antigas, de até 1,74 bilhão de anos.
Um estudo publicado nesta quarta-feira (18) pela revista “Nature” buscou uma interseção entre as duas áreas de conhecimento e mostrou que os dois fenômenos podem ter a mesma causa.
Durante a explosão cambriana, formaram-se três minerais que hoje são importantíssimos para a vida como a conhecemos: o fosfato de cálcio, presente em ossos e dentes, o carbonato de cálcio, que aparece na casca dos invertebrados, e o dióxido de silício, presente no plâncton, a base da cadeia alimentar marinha.
“É provável que a biomineralização não tenha evoluído para alguma coisa, mas sim em resposta a alguma coisa”, afirmou o autor Shanan Peters, professor de geociências e autor do artigo, em material divulgado pela Universidade de Wisconsin, em Madison, nos EUA, onde ele trabalha.
Essa “alguma coisa” que motivou a evolução da vida foi, de acordo com a teoria dele, a mesma que provoca a lacuna percebida pelos geólogos: o movimento dos mares.
Há cerca de 650 milhões de anos, o nível do mar variava muito, pelo menos na América do Norte, onde o estudo foi feito. Era como se sucessivos tsunamis atingissem a região repetidamente. A rocha molhada reagia com o ar e liberava íons de elementos como cálcio, ferro e potássio. Em seguida, quando a maré subia, levava estes íons de volta para o mar.
Assim, a mudança na química da água teria sido um estímulo para a evolução dos seres vivos. Paralelamente, as rochas desgastadas vieram a ser cobertas por rochas mais novas, o que explica a lacuna na idade das rochas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Criacionismo e evolucionismo tentam desvendar nosso passado e futuro

 

 








Professor Nahor Neves de Souza Junior,
da Unasp (Foto: Divulgação)

 

 

 

Professor Mario de Pinna, da USP
(Foto: Divulgação)
 

Teoria da Evolução, postulada por Darwin, é a mais aceita pelos cientistas

 

Na nova temporada do Globo Ciência, especialistas respondem às perguntas dos espectadores. O primeiro programa de 2012, traz respostas à questão levantada por Elizangela Queiroz, do Rio de Janeiro, que quis saber: “Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”. O assunto tem tudo a ver com as teorias do criacionismo e do evolucionismo. Para os criacionistas, que acreditam que Deus é o criador de todos os seres, é claro que a galinha veio primeiro. 

Mas, para os estudiosos da evolução, que defendem que os seres vivos compartilham ancestrais comuns, foi o ovo que veio primeiro. A brincadeira é, na verdade, uma forma divertida de explicar conceitos fundamentais que nos ajudam a entender o que somos e para onde vamos. E essa discussão entre os adeptos das duas teorias é bem acirrada. 

O geólogo Nahor Neves de Souza Junior, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp), defensor do criacionismo, reconhece que a capacidade humana de produção de conhecimento é espantosa, e que eles nunca quiseram usar apenas Deus para a explicar a origem da vida.

“Não ficamos de braços cruzados, dizendo que Deus criou tudo. Eu vejo um robô, por exemplo, e fico impressionado com a inteligência humana. Mas acho que às vezes as explicações dadas pelos evolucionistas carecem de detalhes mais abrangentes.
Então antes do Big Bang não tinha nada? A vida surgiu do nada? Tendo em vista isso, só posso pensar que ou há uma divinização da natureza, ou existe Deus por trás da criação”, ressalta.

Já Mario de Pinna, professor titular do Museu de Zoologia da Universidade de Paulo (USP)  questiona, de cara, o termo “evolucionismo”. 
“Existe teoria da evolução. Temos algumas controvérsias em relação a mecanismos específicos do processo, mas não quanto à evolução em si. Não adotamos a ideia de que a vida surgiu do nada, e sim que houve uma transformação. Não é mágica. 
As aves são resultado da transformação de certos tipos de dinossauros, que punham ovos. Não há embate científico com o criacionismo, porque ele não existe como campo de pesquisa independente, tem apenas motivações sociopolíticas com ideias que já foram refutadas há muito tempo", diz o professor, explicando também que a ideia de seleção natural como mecanismo propulsor da evolução biológica é talvez a contribuição mais emblemática de Charles Darwin:
"A ideia é tão simples que poderia ter sido elaborada centenas, ou mesmo milhares, de anos antes. A seleção natural consiste na reprodução diferencial de indivíduos no decorrer das
gerações, com consequentes mudanças na frequência de características herdáveis (ou frequências gênicas) no decorrer do tempo. A variabilidade das populações fornece a matéria-prima sobre a qual a seleção atua, e variabilidade nova é suprida por mutações que ocorrem constantemente. Na época de Darwin e dos outros idealizadores da seleção natural, claro, não se conhecia quase nada sobre genética ou mecanismos de herança. Sabia-se, contudo, que a maioria das características dos seres vivos era herdável".

Em muitas ocasiões, os criacionistas são criticados por não apresentarem evidências científicas, o que o professor Nahor contesta. “Eu sou geólogo, tenho evidências científicas sim. Quando vejo os fósseis, é inevitável compará-los a um cemitério – eles se harmonizam com a narrativa bíblica do dilúvio. Minhas convicções criacionistas só aumentaram com o conhecimento científico, não diminuíram”, garante.
A ideia de um grande dilúvio planetário é somente um mito para o professor Mario de Pinna e para a maioria da comunidade científica. Segundo ele, é impossível entender nossa posição no mundo sem a perspectiva evolutiva. “A evolução sempre foi a melhor explicação para os fatos sobre os seres vivos. A elaboração de uma teoria evolutiva consistente durante os últimos 150 anos nos permitiu entender uma imensa gama de fenômenos biológicos. Descobertas revolucionárias, como a estrutura do DNA, somente confirmaram a perspectiva evolutiva. 
A organização em diferentes planos, do morfológico ao molecular, não deixa dúvidas de que as similaridades são herdadas de ancestrais comuns. O homem é um tipo de macaco, assim como é um tipo de mamífero, um tipo de vertebrado etc. A teoria evolutiva é a realização mais extraordinária da única espécie que conseguiu desvendar sua própria história”, diz.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Crateras de asteroides podem esconder vida em Marte, diz pesquisa

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/ 

 

 

 

 

 

Crateras formadas por asteroides podem acumular
micróbios (Foto: Divulgação/Universidade de
Edimburgo/via BBC)

 

Locais onde houve impactos aparecem como refúgio de organismos vivos.
Pesquisadores escavaram quase 2 km de profundidade para encontrá-los.

 

Crateras formadas pela queda de asteroides podem ser os locais mais propícios para se encontrar vida em planetas como Marte, de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Edimburgo.

Os cientistas acreditam que tais locais podem abrigar micróbios, sugerindo que crateras em outros planetas também podem 'esconder vida'.

Eles afirmam que foram descobertos organismos vivos sob o local onde um asteroide caiu na Terra há cerca de 35 milhões de anos.
Os pesquisadores escavaram por quase 2 km de profundidade sob a cratera de um grande asteroide que caiu em Chesapeake, Califórnia, EUA.

Amostras subterrâneas mostram que os micróbios estavam espalhados, de forma desigual, sob a pedra, sugerindo que o meio-ambiente estaria ainda se adaptando ao evento, mesmo 35 milhões de anos após o impacto.

Os pesquisadores dizem que o calor do impacto de uma colisão de asteroide mataria qualquer vida na superfície, mas falhas em rochas subterrâneas permitiriam que água e nutrientes chegassem até as profundezas, possibilitando a vida.

Segundo a tese dos cientistas, as crateras proporcionariam um refúgio aos micróbios, protegendo-os dos efeitos de mudanças climáticas, como aquecimentos globais e eras glaciais.

'As áreas profundamente fraturadas ao redor do local onde ocorreram os impactos poderiam proporcionar um refúgio seguro no qual os micróbios prosperariam por longos períodos de tempo' disse Charles Cockell, da equipe de pesquisadores.

'Nossas descobertas sugerem que a o subterrâneo das crateras de Marte podem ser um local promissor para se procurar por evidência de vida', completa.

Evolução de bactérias











cortesia de Max Wisshak
 
Imagem da caverna de Lechuquilla


http://www2.uol.com.br/sciam/noticias

Pesquisa sugere que resistência de microrganismos a antibióticos pode ser inata

por Katherine Harmon

A culpa de muitas cepas nocivas de bactérias se tornarem resistentes a classes inteiras de antibióticos costuma recair sobre o uso abusivo de fármacos e sobre pecuaristas zelosos com o trato de seus animais . Todavia, a capacidade de se defender de antibióticos pode ter origens profundas na história evolutiva das bactérias. Um novo estudo descobriu, em uma caverna de 4 milhões de anos, dezenas de espécies resistentes a antibióticos naturais e sintéticos.

Uma equipe de pesquisadores adentrou 400 m na distante e pouco visitada caverna Lechuguilla, no Novo México, para coletar amostras de bactérias. Como poucas pessoas chegaram às regiões mais profundas desde sua descoberta, em 1986, e a água da superfície leva milhares de anos para se infiltrar através da rocha densa da formação Yates até a caverna, a área é primordial para se estudar a resistência natural a antibióticos, observaram os pesquisadores ao publicar os resultados on-line em 11 de abril na revista PLoS ONE.

“Nosso estudo mostra que a resistência a antibióticos é inata nas bactérias”, relatou em declaração oficial o diretor do Michael G. DeGroote Institute for Infections Disease Research da McMaster University e coautor do novo estudo, Gerry Wright. “Pode ter milhões de anos de idade."

Membros da equipe também mostraram recentemente evidência genética de resistência a antibióticos em bactérias de solo de 30 mil anos atrás. Outros estudos descobriram sinais de resistência em seres encontrados no fundo do oceano e bem abaixo da superfície da Terra. Em ambos os casos, assim como na Caverna Lechuguilla, é improvável que microrganismos locais tenham sido contaminados por antibióticos modernos.
 

Por que os gatos sobrevivem a quedas de grandes alturas?

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/


 







 
Sugar sobreviveu a uma queda de 19 andares
 
A sobrevivência de uma gata na cidade de Boston, Estados Unidos, depois de uma queda de 19 andares, levantou a questão de como os gatos conseguem escapar vivos de quedas de grandes alturas.


A dona da gata, Brittney Kirk, tinha deixado uma janela entreaberta na semana passada para que a gata Sugar se refrescasse, mas ela saiu e caiu em um gramado.

Segundo biólogos e veterinários, a habilidade dos gatos de sobreviver a estas grandes quedas é uma questão simples de física, biologia da evolução e fisiologia.

"Este episódio recente não surpreende. Sabemos que animais exibem este comportamento e há muitos registros de sobrevivência de gatos (a grandes quedas)", disse Jake Socha, biomecânico na Universidade Virginia Tech.

Em um estudo realizado em 1987, que analisou casos de 132 gatos que caíram de grandes alturas e foram levados para uma clínica veterinária especializada em emergências em Nova York, os cientistas observaram que 90% dos animais sobreviveram e apenas 37% precisaram de atendimento de emergência para continuar vivos.

Um dos gatos, que caiu de uma altura de 32 andares diretamente no concreto, teve apenas um dente quebrado e um problema no pulmão. Ele foi liberado 48 horas depois.

 

Feitos para a sobrevivência

 

Cientistas afirmam que os corpos dos gatos foram construídos para resistir a quedas, desde o momento em que estão em pleno ar até o instante em que atingem o chão.

Eles possuem uma área de superfície do corpo grande em relação ao peso, o que reduz a força com que chegam ao chão em uma queda.

A velocidade máxima alcançada por um gato em queda é menor comparada a humanos e cavalos, por exemplo.

Um gato de tamanho médio com seus membros estendidos alcança uma velocidade máxima (ou velocidade terminal) de cerca de 97 quilômetros por hora, enquanto que um homem de tamanho médio chega à velocidade máxima por volta dos 193 quilômetros por hora, segundo estudo de 1987 dos veterinários Wayne Whitney e Cheryl Mehlhaff.

 

Árvores


Gatos são animais que vivem, essencialmente, em árvores. Quando não vivem em casas ou nas ruas de uma cidade, eles tendem a viver em árvores.

Biólogos afirmam que, sendo assim, cedo ou tarde eles acabam caindo. Gatos, macacos, répteis e outras criaturas vão saltar para capturar presas e vão errar, ou um galho da árvore vai se quebrar, ou o vento vai derrubá-los. Então, os processos evolutivos deram a eles a capacidade de sobreviver a quedas.

"Ser capaz de sobreviver a quedas é algo muito importante para animais que vivem em árvores e gatos estão entre estes animais", disse Jake Socha.

"O gato doméstico ainda mantém as adaptações que permitiram que eles fossem bons vivendo em árvores."

Segundo os biólogos, por meio de seleção natural, os gatos desenvolveram o instinto para sentir qual lado é o lado para baixo, algo análogo ao mecanismo que humanos usam para o equilíbrio.
Então, se eles tiverem tempo o bastante, conseguem torcer o corpo como um ginasta e posicionar os pés embaixo do corpo e, com isso, cair de pé.

"Todos que vivem em árvores têm o que chamamos de reflexo aéreo para endireitar", disse Robert Dudley, biólogo no laboratório de voo animal da Universidade da Califórnia Berkeley.

Pernas e paraquedas

 

Gatos também conseguem estender as pernas para criar um efeito de paraquedas, segundo Andrew Biewener, professor de biologia de organismos e evolucionária na Universidade de Harvard. No entanto, ainda não se sabe exatamente como isso desacelera a queda.

"Eles estendem as pernas, o que vai expandir a área de superfície do corpo", disse.

E, quando eles chegam ao chão, as pernas fortes dos gatos, feitas para escalar árvores, absorvem o impacto.

"Gatos têm pernas longas e bons músculos. São capazes de saltar bem, os mesmos músculos direcionam a energia para a desaceleração ao invés de quebrar ossos", explicou Jim Usherwood, do laboratório de movimento e estrutura do Royal Veterinary College.

Ângulos e gatos urbanos

 

As pernas de um gato estão posicionadas em um ângulo diferente das pernas de homens ou cavalos por exemplo.

De acordo com Jake Socha, este ângulo diferente faz com que as forças "não sejam transmitidas diretamente" em uma queda.

"Se o gato caísse com as pernas diretamente embaixo dele, em uma coluna, e (as pernas) o segurassem firmemente, aqueles osso se quebrariam. Mas elas (as pernas) vão para o lado e as juntas se dobram, e agora você está pegando aquela energia e colocando nas juntas, com menos força indo para os ossos", disse.

Steve Dale, consultor especialista em comportamento de gatos para a Winn Feline Foundation, afirmou que gatos domésticos em áreas urbanas tendem a estar acima do peso e fora de forma e, por isso, suas habilidades para conseguir se virar durante uma queda e cair em cima das patas é menor.

"Aquela gata (de Boston) teve sorte. Mas muitos, provavelmente a maioria, teriam tido problemas graves no pulmão ou então fraturas nas pernas, talvez danos na cauda e também uma fratura na mandíbula ou um dente quebrado", afirmou.

"A lição que se aprende é, por favor, coloquem telas nas janelas", acrescentou.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Liderança hereditária

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/














 


Thomas Schoch, Wikimedia Commons

É possível prever o status social de um macaco observando seus genes?

por Ferris Jabr

Macacos rhesus, entre os mais estudados de todos os primatas, estabelecem hierarquias em seus grupos sociais. Sempre que dois macacos disputam comida, por exemplo, ou o direito de se acasalar, o macaco de posição mais elevadgeralmente ganha. Primatólogos estabeleceram que macacos menos influentes costumam ser mais estressados que seus pares dominantes – os menos poderosos têm níveis mais altos de hormônios do estresse, por exemplo. E as diferenças em atividade genética: uma mudança de posição social alteraria a expressão genética? Sim, conclui um novo estudo que utilizou diferenças na expressão de genes para identificar a posição social de um macaco com cerca de 80% de precisão.

Jenny Tung, da Duke University, e seus colegas da University of Chicago (onde ela trabalhava na época do estudo), bem como vários colaboradores do Yerkes National Primate Research Center, estudaram 10 grupos de macacos rhesus, cada um com cinco fêmeas adultas. Os pesquisadores formaram os grupos incluindo uma fêmea por vez, permitindo uma construção cuidadosa da hierarquia social: as fêmeas introduzidas antes geralmente assumiam posição mais elevada. Assim, os cientistas sabiam exatamente as posições ocupadas por cada fêmea do grupo.

Jenny e seus colegas coletaram amostras de sangue dos primatas, isolaram os leucócitos e analisaram o DNA daquelas células. Descobriram 987 genes cuja atividade dependia da posição social: 535 genes que tinham maior expressão em indivíduos de alta posição e 452 com maior atividade em indivíduos de pouco status. Muitos genes estavam relacionados com o sistema imune – em especial, os genes ligados à inflamação eram mais ativos em indivíduos de pouca influência. Outros testes revelaram que os macacos de baixa posição social tinham ainda menos células T citotóxicas, um tipo de leucócito que ataca células infectadas e cancerosas. Pesquisa anterior sugere que o estresse da baixa categoria social compromete o sistema imune, o que corrobora a hipótese sobre as células T, mas pode ainda levar o sistema imune a responder desnecessariamente, o que reforça a hipótese sobre inflamação. As descobertas relacionadas ao estresse, ao status social e ao sistema imune não são claras. Outros estudos apontam, por exemplo, que uma posição mais elevada estressa mais.                                                                                                                                                                

Jenny escolheu dez perfis genéticos de forma aleatória e tentou prever a posição social do animal apenas com base na atividade do gene, obtendo sucesso em oito casos. Em outro teste, ela mostrou que a expressão do gene identificou corretamente o status social de seis entre sete primatas após eles mudarem de posição. O novo estudo aparece na edição de 9 de abril da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisadora afirma que esta é a primeira vez em que ela foi capaz de prever a posição social observando apenas a expressão do gene. “Temos muitos biomarcadores de estresse”, explica ela, “mas eles em si não conseguem prever bem. Com os estudos completos de genoma, conseguimos observar milhares de biomarcadores ao mesmo tempo.”
 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Fascinante evolução do olho

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/ 











Cientistas já têm uma visão clara de como surgiram nossos olhos tão complexos



por Trevor D. Lamb  

O olho humano é um órgão extremamente complexo; atua como uma câmera, coletando, focando luz e convertendo a luz em um sinal elétrico traduzido em imagens pelo cérebro. Mas, em vez de um filme fotográfico, o que existe aqui é uma retina altamente especializada que detecta e processa os sinais usando dezenas de tipos de neurônios. O olho humano é tão complexo que sua origem provoca discussão entre criacionistas e defensores do desenho inteligente, que o têm como exemplo básico do que chamam de complexidade irredutível: um sistema que não funciona na ausência de quaisquer de seus componentes e, portanto, não poderia ter evoluído naturalmente de uma forma mais primitiva. Mesmo Charles Darwin admitiu em A origem das espécies, de 1859 – que detalha a teoria da evolução pela seleção natural –, que pode parecer absurdo pensar que a estrutura ocular se desenvolveu por seleção natural. No entanto, apesar da falta de evidências de formas intermediárias naquele momento, Darwin acreditava que o olho evoluíra dessa maneira.

Não foi fácil encontrar uma evidência direta para essa teoria. Embora pesquisadores que estudam a evolução do esqueleto possam documentar facilmente a metamorfose em registros fósseis, estruturas de tecidos moles raramente fossilizam. E mesmo quando isso ocorre, os fósseis não preservam detalhes suficientes para determinar como as estruturas evoluíram. Ainda assim, recentemente biólogos fizeram avanços significativos no estudo da origem do olho, observando a formação em embriões em desenvolvimento e comparando a estrutura e os genes de várias espécies para determinar quando surgem os caracteres essenciais. Os resultados indicam que o tipo de olho comum entre os vertebrados se formou há menos de 100 milhões de anos, evoluindo de um simples sensor de luz para ritmos circadianos e sazonais, há cerca de 600 milhões de anos, até chegar ao órgão sofisticado de hoje, em termos ópticos e neurológicos, há 500 milhões de anos. Mais de 150 anos após Darwin ter publicado sua teoria revolucionária, essas descobertas sepultam a tese da complexidade irredutível e apoiam a teoria da evolução. Explicam ainda porque o olho, longe de ser uma peça de maquinaria criada à perfeição, exibe falhas evidentes – “cicatrizes” da evolução. A seleção natural não leva à perfeição; ela lida com o material disponível, às vezes, com efeitos estranhos.

Para entender a origem do olho humano é preciso conhecer eventos ocorridos há muito tempo. Nós, seres humanos, temos uma linha ininterrupta de ancestrais que remonta a quase 4 bilhões de anos até o início da vida na Terra. Cerca de 1 bilhão de anos atrás, animais multicelulares simples se separaram em dois grupos: um com estrutura de simetria radial (parte superior e inferior, mas não anterior e posterior), e outro de simetria bilateral, com os lados direito e esquerdo espelhando imagens do outro lado, terminando em uma cabeça. Após cerca de 600 milhões de anos, os bilaterais se dividiram em dois grupos importantes: um deu origem à grande maioria dos animais sem coluna vertebral, os invertebrados; e outro, cujos descendentes incluem nossa própria linhagem de vertebrados. Logo após essas duas linhagens se separarem, ocorreu uma incrível diversidade de estruturas animais: a explosão cambriana que deixou sua famosa marca nos registros fósseis de 540 a 490 milhões de anos atrás. Essa explosão evolutiva lançou a base para a origem de nossos tão complexos olhos.

COMPOSTO VERSUS CÂMERA
o registro fóssil revela que durante a explosão cambriana surgiram basicamente dois tipos diferentes de olhos. O primeiro parece ter sido composto da versão observada atualmente em quase todos artrópodes (insetos, crustáceos e aracnídeos). Nesse tipo de olho, uma série de unidades idênticas de geração de imagens – cada uma constitui uma lente ou um refletor – irradia luz para alguns elementos sensíveis a ela, denominados fotorreceptores. Os olhos compostos são muito eficazes para animais de pequeno porte, pois oferecem um amplo ângulo de visão e resolução espacial moderada em volume pequeno. No Cambriano, essa acuidade visual pode ter dado aos trilobitas e a outros artrópodes primitivos uma vantagem de sobrevivência sobre seus contemporâneos. No entanto, olhos compostos são impraticáveis em animais maiores, pois o olho teria de ser enorme para proporcionar visão em alta resolução. Assim, com o aumento do tamanho do corpo, também aumentaram as pressões seletivas favorecendo a evolução do olho tipo câmera.