quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Hominídeo 'Ardi' é a descoberta científica mais importante de 2009

Qui, 17 Dez, 06h34 (br.noticias.yahoo.com/s/afp/)




WASHINGTON (AFP) - Ardi, o esqueleto de hominídeo mais antigo já encontrado até hoje, com 4,4 milhões de anos, foi a descoberta científica mais importante de 2009, estimou nesta quinta-feira a prestigiada revista Science.

O fóssil lidera a lista dos 10 maiores avanços científicos do ano segundo a Science, que também inclui a descoberta de água na Lua e o uso de folhas de átomos de carbono ultrafinas em aparelhos eletrônicos experimentais.

Ardi, um Ardipithecus ramidus, foi objeto de 15 anos de estudo minucioso por antropólogos. O esqueleto, encontrado na Etiópia, deu início a uma nova etapa na pesquisa da evolução do homem, segundo os cientistas.

Sendo 1,2 milhão de anos mais velho que "Lucy", até então o fóssil de hominídeo mais antigo já encontrado, Ardi está ajudando a derrubar mitos populares sobre a relação direta entre o ser humano e os símios modernos.

A análise do crânio, dos dentes, da pélvis, das mãos, dos pés e de outros ossos de Ardi mostraram que os símios africanos evoluíram consideravelmente desde o momento em que compartilharam um ancestral comum com os humanos.

"(Ardi) muda a maneira de pensarmos sobre a evolução humana mais antiga", indicou Bruce Alberts, editor da Science.

Entre as outras descobertas destacadas pela revista estão os pulsares, vistos pela primeira vez pelo telescópio Fermi, da Nasa. Um deles foi localizado a 4.600 anos-luz da Terra.

As observações ajudaram a explicar como funciona um pulsar - o centro de uma estrela de nêutrons, caracterizado pela emissão, a intervalos regulares e curtos, de radiação muito intensa -, e como ele contribui para a radiação eletromagnética no universo.

A astrofísica foi fonte de outras dois dos 10 maiores avanços científicos do ano segundo a Science, o que inclui a descoberta de água gelada na Lua pela Nasa.

Em outubro, a agência espacial americana enviou duas sondas para que se chocassem contra a superfície lunar, em uma experiência dramática em busca de água. Uma delas caiu na cratera Cabeus, perto do pólo sul lunar, a 9.000 quilômetros por hora; a outra teve o mesmo destino quatro minutos depois, esta equipada com câmeras e sensores para registrar o impacto e o que resultaria dele.

A Nasa foi especialmente elogiada pela revista científica pelos reparos realizados por astronautas no telescópio espacial Hubble, que desde seu lançamento, em 1990, registra imagens sem precedentes do universo.

Entre os "temas quentes" a serem acompanhados em 2010, a Science menciona o metabolismo das células cancerosas, o sequenciamento do exoma - genes que representam 1% do patrimônio genético, mas que controlam as funções vitais do organismo - e o futuro dos voos tripulados ao espaço.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Resumo das teorias que envolvem as origens

Um bom resumo das teorias que envolvem as origens é encontrada no link a seguir:

http://www.simbiotica.org/teorias.htm

Rio Grande do Sul: berço dos mamíferos?

Publicado em 15/12/2009 | Atualizado em 15/12/2009 (cienciahoje.uol.com.br/colunas/)
 
Novos achados de fósseis no Brasil estão revolucionando o estudo sobre os passos evolutivos que levaram ao surgimento dos primeiros animais desse grupo, como mostra Alexander Kellner em sua coluna de dezembro. 
 
Por: Alexander Kellner 


 
Um dos mais apaixonados debates dentro da paleontologia está vinculado ao surgimento e à evolução dos mamíferos. Ainda existe muita discussão e indefinição acerca de como eram os protomamíferos, ou seja, as espécies que antecederam os ‘vertebrados peludos’. Achados recentes feitos no Brasil por pesquisadores argentinos e brasileiros têm jogado ‘mais lenha na fogueira’ e mudado a perspectiva dos estudos sobre o tema realizados até agora.
 

Como se define um mamífero?


Para situar o problema, precisamos primeiramente perguntar: como se caracteriza um mamífero? Relembrando um pouco do que aprendemos na escola, os mamíferos se distinguem dos demais vertebrados, como os répteis, por possuírem pelos, encéfalo desenvolvido e glândulas mamárias (onde é produzido o leite com o qual alimentam seus filhotes). Sem contar com o coração de quatro cavidades, conforme observado pelo cientista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) quando, em 1758, propôs a classe Mammalia.

Até que essa primeira parte foi fácil. Vamos tentar então usar essas características para os mamíferos fósseis... Agora complicou, pois todas as feições listadas acima estão no dito ‘tecido mole’ e não se preservam nos ossos encontrados nas camadas de sedimentos.

Com esse problema na mão, os paleontólogos começaram a procurar características nos ossos que pudessem diferenciar os mamíferos dos não-mamíferos. Chegaram a propor algumas, como a articulação entre mandíbula e crânio feita por uma parte expandida do osso dentário que se encaixa em uma depressão de um pequeno osso da lateral do crânio chamado esquamosal. Essa articulação é completamente distinta da observada nos répteis, por exemplo.

Também foram levantados como feições tipicamente de mamíferos a presença de três ossículos no ouvido médio – o malleus (bigorna), incus (martelo) e o estribo – e os dentes pós-caninos com as raízes divididas.
Estava tudo bem até o momento em que fósseis com algumas dessas características, mas não todas, foram descobertos. Onde classificar essas novas formas?

Na tentativa de organizar um pouco a questão da classificação dos mamíferos, uma linha de pensamento – hoje majoritária – na paleontologia propõe que a classe Mammalia seja definida como o grupo formado pelo ancestral comum dos monotremos, marsupiais e placentários (os três grandes grupos de mamíferos existentes atualmente) e todos os seus descendentes.

Assim, todas as demais formas fósseis que não fazem parte desse grupo, mas estão proximamente relacionadas aos mamíferos, passam a integrar o agrupamento denominado Mammaliaformes. A questão, agora, passa a ser: qual dos grupos basais de Mammaliaformes estaria mais proximamente relacionado aos mamíferos? A resposta para essa pergunta está vindo de depósitos do Brasil, mas especificamente do Rio Grande do Sul.



Novas espécies brasileiras

Ao repousar no terreno durante uma atividade de campo em 2000, o pesquisador argentino José Bonaparte – Bona, para os colegas – não imaginava que iria fazer uma das principais descobertas do início deste século para a paleontologia do Brasil. A equipe estava coletando fósseis nos depósitos chamados de Formação Caturrita (RS), cuja idade varia em torno de 220 milhões de anos. Junto com colegas da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Bona encontrou pequenos ossos esbranquiçados no meio da rocha avermelhada.

Escavações realizadas nos anos seguintes – que incluíram também pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – revelaram uma grande quantidade desses ‘pequenos animais’, hoje classificados em quatro novas espécies: Riograndia guaibensis e Irajatherium hernadezi, ambas do clado Tritheledontidae (considerado por alguns como o mais próximo de Mammalia); e Brasilodon quadrangularis e Brasilitherium riograndensis, classificados no grupo Brasilodontidae. Todos são de pequeno tamanho, feição comum dos primeiros protomamíferos.

O primeiro a ser descrito foi Riograndia guaibensis, que é a forma mais comumente encontrada nos depósitos. De crânio curto, essa espécie se destaca pela confluência da órbita e da fenestra (abertura) temporal – devido à perda da barra óssea que separava essas duas aberturas – e pela dentição composta por três dentes incisivos na arcada inferior, todos procumbentes (voltados para frente e para fora), e dentes pós-caninos espatulados, que já apresentam um início de bifurcação de suas raízes – característica comum dos mamíferos.

O Irajatherium é uma forma mais rara. Conhecida apenas por um úmero, um fêmur, duas mandíbulas e uma arcada superior incompleta, essa espécie possui os dentes pós-caninos superiores comprimidos transversalmente e os pós-caninos inferiores com uma cúspide (elevação) central mais desenvolvida, seguida de três menores.

Sem dúvida, os achados mais interessantes no momento são Brasilodon e Brasilitherium, todos conhecidos por uma espécie apenas. O Brasilodon tem um crânio relativamente baixo, com a caixa craniana bem expandida. O Brasilitherium exibe uma série de ossos fusionados na caixa craniana, o que é considerado uma característica mais derivada dentro da evolução desses protomamíferos.

Além de uma dentição bem semelhante à dos primeiros mamíferos (como Morganucodon), essas duas formas compartilham outras características com os animais desse grupo, incluindo a articulação da arcada inferior com o crânio. Por essas e outras, os pesquisadores argentinos e brasileiros defendem que o grupo Brasilodontidae – e não o Tritheledontidae – reúne as formas mais proximamente aparentadas aos mamíferos.



Infelizmente até o momento não foram descritas detalhadamente outras partes do esqueleto desses protomamíferos gaúchos, o que poderia trazer mais informações sobre os passos evolutivos dados por esses animais até o surgimento dos primeiros mamíferos.

Se os pesquisadores argentinos e brasileiros estiverem corretos e o grupo Brasilodontidae for mesmo o mais proximamente relacionado à classe Mammalia, podemos imaginar que talvez os primeiros mamíferos estejam nessas rochas do Rio Grande do Sul. Candidatos já existem. Agora é esperar a continuação das pesquisas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Jogo da Evolução

edição 73 - Junho 2008 (www2.uol.com.br/sciam/)


Dispositivos do DNA que decidem quando e onde os genes são ativados permitem aos genomas gerar a grande diversidade de formas animais a partir de um conjunto muito semelhante de genes

por Sean B. Carroll, Benjamin Prud’homme e Nicolas Gompel


Sean B. Carroll, Benjamin Prud’homme e Nicolas Gompel trabalharam juntos por muitos anos para decifrar como a evolução de seqüências regulatórias de DNA define a morfologia animal. Carroll é pesquisador do Howard Hughes Medical Institute, professor de biologia molecular da University of Wisconsin – Madison e autor de dois livros populares sobre evolução. Prud’homme e Gompel, ambos ex-alunos de pós-doutorado do laboratório de Carroll, agora estudam a evolução de formas e comportamento animal em seu próprio laboratório na França, no Instituto de Biologia do Desenvolvimento de Marselha Luminy.



À primeira vista esta lista de animais poderia ser a de um zoológico qualquer. Há um elefante, um tatu, um gambá, um golfinho, uma preguiça, um porco-espinho, morcegos grandes e pequenos, musaranhos, alguns peixes, um macaco Rhesus, um orangotango, um chimpanzé e um gorila – para citar algumas das criaturas mais conhecidas. Mas esse zoológico não é nada como os outros já existentes. É um zoológico “virtual” que contém apenas as seqüências de DNA desses animais – as centenas de milhões a bilhões de letras do código do DNA que compõem a receita genética de cada espécie.

Os visitantes mais animados desse novo zoológico molecular são os biólogos evolucionistas, já que podem contar com um registro extenso e detalhado da evolução. Há muitas décadas, cientistas tentam entender como a grande diversidade de espécies surgiu. Já sabemos há meio século que as mudanças em características físicas, da cor do corpo ao tamanho do cérebro, vêm de mudanças no DNA. No entanto, até recentemente, determinar precisamente quais mudanças nas vastas seqüências de DNA foram responsáveis por conferir a cada animal sua aparência única estava fora de alcance.

Agora, os biólogos estão decifrando os registros de DNA para localizar as instruções que fazem as diversas espécies ser tão diferentes umas das outras e nos tornam diferentes dos chimpanzés. Essa empreitada levou a uma grande mudança em nossa perspectiva. Durante grande parte dos últimos 40 anos, os pesquisadores dedicaram a maior parte de sua atenção aos genes – seqüências de nucleotídeos no DNA que codificam as cadeias de aminoácidos, que formam as proteínas. Mas, para nossa surpresa, as diferenças nas aparências acabaram por ser enganosas: animais muito diferentes possuem conjuntos de genes muito semelhantes. As trilhas da evolução estão agora nos levando a dispositivos dentro do DNA que ativam e desativam a expressão gênica, que não codificam nenhuma proteína, mas controlam quando e como os genes são usados. Alterações nesses dispositivos são cruciais para a evolução da anatomia e fornecem novas visões de como a aparentemente interminável variedade de formas do reino animal evoluiu.

O fim da evolução humana

edição 51 - Agosto 2006 (www2.uol.com.br/sciam/)

A história evolutiva da espécie humana, com sua vasta galeria de antepassados, pode estar chegando ao fim.





por Ian Tattersall

QUEM É
Ian Tattersall nasceu na Inglaterra em 1945 e cresceu na África oriental.
Estudou arqueologia e antropologia na Universidade de Cambridge e geologia e paleontologia de vertebrados na Universidade Yale, onde obteve, em 1971, o doutorado em geologia e geofísica.
Publicou mais de 200 artigos científicos e diversos livros de divulgação, entre eles Becoming human: evolution and human uniqueness (1999) e The human odyssey: four million years of human evolution (2001).
Coordena a Divisão de Antropologia do Museu Americano de História Natural de Nova York.


Para o paleoantropólogo britânico Ian Tattersall, a história evolutiva da espécie humana, com sua vasta galeria de antepassados, pode estar chegando ao fim


Por Giovanni Spataro



A evolução humana é hoje um dos principais temas dos debates científicos. Novas descobertas estão desafiando conhecimentos estabelecidos. Considere, por exemplo, o hominídeo de Flores - um verdadeiro ponto de interrogação em nossa história evolutiva. Mas o mérito cabe também a cientistas como Ian Tattersall, autoridade no campo da paleoantropologia e entusiasmado divulgador da evolução e de tudo que gira em torno do tema. Prova disso é o que aconteceu no Teatro Palladium, em Roma. Depois de uma hora de entrevista para a Radio 3 Scienza, Tattersall conversou com os estudantes que assistiram ao programa. Rodeado por jovens cheios de perguntas, divertiu-se com tanta curiosidade e ímpeto e não economizou nas respostas.

Scientific American: A paleoantropologia costuma ser considerada uma ciência estática, um campo de pesquisa em que é difícil fazer descobertas. Isso corresponde à situação atual?

Ian Tattersall: Jamais houve um período tão empolgante na paleontologia humana como o que vivemos hoje. Não só dispomos de mais fósseis do que antigamente como temos novas técnicas para analisar os dados.

Sciam: As fontes de informação são muito diversas, vão desde a genética até a anatomia. Como usar os dados disponíveis?

Tattersall: É justamente esse o desafio. Há estudos que fornecem vários tipos de informação, e o problema futuro será integrá-los. As hipóteses evolutivas baseadas em dados morfológicos não estão de acordo com as baseadas em dados genéticos, ainda que, em geral, as informações provenientes dos dois campos - a paleoantropologia física e a genética - tendam a se reforçar mutuamente.

Sciam: Com dados mais bem integrados, é possível que o número de antepassados humanos diminua? Particularmente a espécie dos hominídeos?

Tattersall: Não creio. A tendência geral é reconhecer não só mais espécies, mas também mais gêneros. Somos hoje a única espécie de hominídeos na Terra e projetamos essa situação para o passado. Mas com as diferentes técnicas e o número cada vez maior de fósseis disponíveis, descobrimos que existe - e existia no passado - uma grande diversidade. Em suma, a história da espécie humana é marcada pela luta contínua entre diversas espécies de hominídeos. Há muitas hipóteses a respeito de quantas espécies teriam existido. Minha opinião é de cerca de 20 nos últimos 6 milhões de anos.

Sciam: O Homo floresiensis faz parte desse grupo? Ainda se debate se devemos ou não considerá-lo nosso antepassado.

Tattersall: Não creio que alguém defenda que o hominídeo de Flores deva ser catalogado entre nossos antepassados. Na gruta onde foi descoberto o crânio do primeiro H. floresiensis foi encontrado recentemente o maxilar de um segundo indivíduo da mesma espécie. Isso nos leva a pensar que se trata, provavelmente, de uma população local com alguma doença A única alternativa é considerar que o hominídeo de Flores seja o representante de uma espécie que não conhecíamos, mas não há razões convincentes para incluí-lo no gênero Homo. Mas se for, de fato, uma espécie de hominídeo, sua ligação conosco é extremamente remota. Nesse caso, o hominídeo de Flores representaria um dos descendentes dos primeiros hominídeos que emigraram da África, em vez de uma forma degenerada de Homo erectus, como se acreditou logo após sua descoberta.

Sciam: Falemos do presente. As pesquisas em paleontologia são úteis para cientistas sociais e estudiosos que criticam outras abordagens da evolução social de nossa espécie? Refiro-me à sociobiologia, segundo a qual há uma relação direta entre genes e comportamento.

Tattersall: A sociobiologia é uma abordagem válida quando aplicada a sistemas como os insetos sociais, mas não funciona no caso de realidades muito complexas do ponto de vista cognitivo, como o Homo sapiens. Além disso, a sociobiologia implica uma visão dos processos evolutivos estreitamente ligada à seleção natural, e não creio que sua influência seja tão grande quanto a que lhe costumam atribuir. Se levarmos em conta uma característica por vez, por exemplo a expansão do volume do cérebro, então é possível pensar que a seleção tenha um papel no processo evolutivo. Mas os genomas são estruturas extremamente complexas, e a única coisa que a seleção natural pode fazer é determinar o êxito de um indivíduo, não o tamanho de seu cérebro.

Sciam: Nos últimos anos foram publicadas diversas pesquisas que evidenciam mutações recentes e seleção dos genes que compõem o DNA humano. Nossa espécie ainda está evoluindo?

Tattersall: Se considerarmos os genes isoladamente, a resposta é afirmativa: podemos registrar mudanças no patrimônio genético humano. Mas não creio que sejam mudanças importantes do ponto de vista evolutivo. Trata-se de flutuações que surgem ciclicamente em todas as espécies. Para ser verdadeiramente nova, uma mutação deve ocorrer em populações formadas por poucos indivíduos. Do ponto de vista genético, apenas as populações pequenas são suficientemente instáveis para originar alguma característica evolutiva nova. Hoje a população humana está muito interconectada, e é cada vez mais fácil os indivíduos se deslocarem. Estão ausentes as condições necessárias para o surgimento de mudanças significativas do ponto de vista evolutivo.

Sciam: Isso quer dizer que a globalização prejudica a evolução da espécie humana?

Tattersall: A globalização é um processo de modernização, mas certamente não encoraja a inovação evolutiva.

Sciam: E para outras espécies, é possível observar sua evolução e estudá-la com novos meios?

Tattersall: Teoricamente sim. Ao se tornar uma espécie cada vez mais difusa em todas as partes do planeta, o Homo sapiens está fragmentando o hábitat de outros seres vivos. Assim, está criando as condições para inovações evolutivas. Possivelmente presenciaremos a evolução de outras espécies no futuro. Se esses fenômenos vão ocorrer ou não em escala temporal que permita a observação

Navalha de Occam



 

http://brazil.skepdic.com/occam.html

"Pluralitas non est ponenda sine neccesitate" ou "pluralidade não deve ser colocada sem necessidade." As palavras são de um filósofo inglês medieval e monge Franciscano, William of Ockham (ca. 1285-1349). Como muitos Franciscanos, William era um minimalista na sua vida, idealizando uma vida de pobreza, e como S. Francisco, batendo-se com o Papa a esse propósito. William foi excomungado pelo Papa João XXII. Respondeu escrevendo um tratado demonstrando que o Papa era um herético.
O que é conhecido como navalha de Occam era um principio comum na filosofia medieval e não foi originado por William of Ockham mas devido ao seu frequente uso do principio, o seu nome ficou indelevelmente ligado a ele. É pouco provável que William apreciasse o que alguns de nós fizeram com o seu nome. Por exemplo, ateistas muitas vezes aplicam a navalha de Occam argumentando contra a existência de Deus na base de que Deus é uma hipótese desnecessária. Podemos explicar tudo sem assumir o peso metafisico extra de um Ser Divino.
O uso por William do principio da pluralidade desnecessária ocorre em debates sobre o equivalente medieval do psi. Por exemplo, no Livro II dos seus Commentary on the Sentences de Pedro Abelardo, ele debruça-se sobre a questão de saber se "Um Anjo mais Elevado sabe graças a menos espécies que um Inferior." Usando o principio de que a "pluralidade não deve ser colocada sem necessidade" ele argumenta que a resposta é afirmativa. Tambem cita Aristoteles quando afirma que "quanto mais perfeita uma natureza, menos meios necessita para a sua operação." Este principio tem sido usado por ateistas para rejeitar a hipótese de um Deus-Criador a favor da evolução natural: se um Deus Perfeito tivesse criado o Universo, quer o Universo quer as suas partes seriam mais simples. William não teria apreciado. Contudo, argumentou que a teologia natural é impossivel. Teologia natural usa a razão para compreender Deus, em contraste com a teologia revelada que se baseia nas revelações das escrituras. De acordo com William of Ockham, a ideia de Deus não é estabelecida por evidências experimentais ou de raciocínio. Tudo o que sabemos de Deus é-nos dado pela revelação. Os fundamentos de toda a teologia é, portanto a fé. Deve-se notar que enquanto uns usaram a navalha para eliminar todo o mundo espiritual, Ockham não aplicou o principio da parcimónia aos artigos da fé. Tivesse-o feito, poderia tornar-se um Sociniano como John Toland (Christianity not Mysterious, 1696) e reduzido a Trindade a uma Unidade e a natureza dual de Cristo a uma.
William foi uma espécie de minimalista em filosofia, advogando nominalismo contra a visão mais popular do realismo. Ou seja, argumentou que os universais não têm existência foram da mente; universais são apenas nomes que usamos para referir grupos de individuos e as propriedades de individuos. Os realistas afirmam que não só há objectos individuais e os nossos conceitos desses objectos, tambem há universais. Ockham pensava que eram demasiadas pluralidades. Não necessitamos de universais para explicar qualquer coisa. Para nominalistas e realistas existe Sócrates o individuo e o nosso conceito de Sócrates. Para os realistas existem tambem realidades como a humanidade de Sócrates, a animalidade de Sócrates, etc. Ou seja, qualquer qualidade que possamos atribuir a Sócrates tem uma correspondente "realidade", um "universal" ou eidos, como Platão chamou a tais seres. William pode ser considerado céptico em relação a estes universais. Não são necessários para a lógica, a epistemologia ou metafisica, portanto para quê assumir esta pluralidade desnecessária? Platão e os realistas podiam ter razão. Talvez haja um eidos, de realidades universais que sejam eternos, imutáveis modelos para objectos individuais. Mas não necessitamos de postular tal para explicarmos individuos, os nossos conceitos ou o nosso conhecimento. O Eidos de Platão (Formas) são um peso metafisico e epistemológico desnecessário.
Pode ser argumentado que o Bispo George Berkeley aplicou a navalha de Occam para eliminar a substância material como uma pluralidade desnecessária. Apenas precisamos da nossa mente e das nossas ideias para explicar tudo. Contudo, Berkeley era um pouco selectivo no seu uso da navalha. Lembrem-se, ele precisou de postular Deus como a Mente que ouve a árvore cair na floresta quando ninguem está presente. Os Idealistas Subjectivos podem usar a navalha para se livrarem de Deus. Tudo pode ser explicado pelas nossas mentes e ideias. Claro que isto leva ao solipsismo, a ideia que só eu e as minhas ideias existem, ou pelo menos é tudo o que sei que existe. Os Materialistas, por outro lado, usam a navalha para eliminar a mente. Não necessitamos de postular uma pluralidade de mentes E uma pluralidade de cérebros.
A navalha de Occam é tambem chamada o principio da parcimónia. Hoje em dia é interpretada como "a explicação mais simples é a melhor" ou "não multiplique hipóteses desnecessariamente." Em qualquer caso, a navalha de Occam é o principio que é frequentemente usado fora da ontologia, isto é, por filósofos da ciência num esforço de estabelecer critérios para escolher entre várias teorias com igual valor explicatório. Quando dando razões explicativas para algo, não postule mais que o necessário. Von Daniken podia estar certo: talvez extraterrestres tenham ensinado antigos povos na arte e na engenharia, mas não precisamos de postular visitantes extraterrestres para explicar os feitos desses povos. Porquê postular pluralidades desnecessariamente? Ou, como diriamos hoje, não faça mais assunções do que precisa. Podemos postular o éter para explicar acção à distância, mas não precisamos do éter para o explicar, portanto para quê assumir um etéreo éter?
Pode-se dizer que Oliver W. Holmes e Jerome Frank aplicaram a navalha de Occam ao afirmarem que não existe uma coisa chamada "Lei". Há apenas decisões judiciais, julgamentos individuais e a soma deles fazem a lei. Para confundir mais a questão, estes iminentes juristas chamaram ao seu ponto de vista realismo legal, em vez de nominalismo legal. Lá se vai a simplicidade.
Porque a navalha de Occam é algumas vezes chamado o principio da simplicidade algumas mentes criacionistas argumentaram que ela podia ser usada para apoiar o criacionismo sobre a evolução. Ter Deus a criar tudo é muito mais simples que a evolução, que é um mecanismo muito mais complexo. Mas Occam não diz que quanto mais simplória a hipótese, melhor. Alguns até usaram a navalha de Occam para justificar cortes orçamentais, argumentando que "o que pode ser feito com menos é feito em vão com mais." Esta aproximação parece aplicar a navalha de Occam ao próprio principio, eliminando a palavra "hipótese". Occam estava preocupado com menos hipóteses, não com menos dinheiro.
O principio original parece ter sido invocado num contexto de uma crença na noção de que a perfeição é a própria simplicidade. Isto é um principio metafisico que partilhamos com os medievais e os gregos antigos. Pois, como eles, a maior parte das nossas disputas não são acerca do principio mas do que conta como necessário. Para os materialistas, os dualistas multiplicam pluralidades desnecessariamente. Para os dualistas, postular uma mente bem como um corpo, é necessário. Para os ateistas, postular Deus e algo sobrenatural é uma pluralidade desnecessária. Para os teistas, postular Deus é uma necessidade. E por aí fora. Para von Daniken, talvez, os factos tornam necessário postular extraterrestres. Para outros, estes extraterrestres são pluralidades desnecessárias. Em resumo, talvez a navalha de Occam diga pouco mais do que para os ateístas Deus é desnecessário mas para os teistas isso não é verdade. Se é assim, o principio não é muito util. Por outro lado, se a navalha de Occam significa que quando confrontados com duas explicações, uma implausivel e uma provável, uma pessoa racional deve escolher a provável, então o principio parece desnecessário, pois é óbvio. Mas se o principio é verdadeiramente minimalista, então parece implicar que quanto mais reducionismo, melhor. Se sim, então o principio da parcimónia deveria chamar-se a Serra Eléctrica de Occam, pois o seu principal uso parece ser cortar a eito na ontologia.

Links
Hyman, Arthur and James J. Walsh, Philosophy in the Middle Ages 2nd ed. (Indianapolis: Hackett Publishing Co., 1973).
W.M. Thorburn, "The Myth of Occam's Razor," Mind 27:345-353 (1918).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Los dinosaurios carnívoros surgieron en lo que ahora es Suramérica

Washington, 10 de diciembre de 2009 (infolatam.com)



Los primeros dinosaurios carnívoros posiblemente surgieron hace más de 230 millones de años en una región de lo que es ahora América del Sur, según un estudio publicado por la revista Science.

En ese momento de la historia remota del planeta, la masa terrestre era una sola llamada Pangea, la cual se separó creándose los actuales continentes.

Las claves de esa teoría las facilitaron los restos fósiles de un nuevo tipo de dinosaurio llamado "Tawa hallae", además de otros ejemplares del período Triásico analizados por científicos del Museo de Historia Natural de Utah, de la Universidad de este estado, de la Universidad de Texas y de la Universidad de Chicago, en Estados Unidos.

En el Triásico, hace entre 250 millones y 201 millones de años, surgieron otros animales, como los cocodrilos, los primeros mamíferos, los pterosauros, las tortugas, los sapos y los lagartos.

Según el informe, el esqueleto fosilizado del "Tawa hallae" revela que el dinosaurio tenía un largo de unos dos metros con una altura de unos 70 centímetros, es decir el tamaño de un perro pero con una cola mucho más larga.

"'Tawa hallae' modifica lo que sabíamos de la relación entre los primeros dinosaurios y proporciona fantástica información sobre cómo evolucionó el esqueleto de los primeros dinosaurios carnívoros", dijo Randall Irmis, del Museo de Historia Natural de Utah.

Los científicos indicaron en el informe sobre su investigación que los primeros dinosaurios surgieron en una zona de Pangea que es ahora Suramérica y que después evolucionaron hasta convertirse en varios tipos de esos animales, incluyendo el Tyrannosaurus rex y los triceratopos, los cuales se dispersaron a través de Pangea.

"Cuando analizamos la relación evolutiva de estos dinosaurios descubrimos que era muy distante y que cada especie tenía parientes muy cercanos en América del Sur", indicó Irmis. "Esto implica que cada especie carnívora de dinosaurios descendió de una línea diferente antes de llegar a la zona de Pangea que es ahora América del Norte, en vez de tener un solo antepasado local", añadió.

Ese desplazamiento de dinosaurios, incluyendo reptiles, llevó a los científicos a determinar que durante la última parte del Triásico no existían grandes barreras geográficas, como cadenas montañosas, que pudieran obstaculizar la migración de algunos de esos animales.