sábado, 2 de abril de 2011

Perda de DNA simplificou pênis do homem e favoreceu monogamia, diz estudo

09/03/2011 - 20h40  http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/
 
AFP
Em Paris
 
Na reprodução da notícia no site da "Nature", fotos comparam estátua de Davi e um primata;
a legenda, bem-humorada, explica que falta algo da imagem da esquerda

 
O cérebro do homem é maior e seu pênis não tem mais as protuberâncias presentes entre os chimpanzés e outros mamíferos. Isso ocorreu devido à perda de sequências do DNA durante a evolução, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (9).

Tais mudanças poderiam, segundo os cientistas, ter favorecido a formação de casais monogâmicos e a emergência de estruturas sociais complexas permitindo criar os frágeis bebês humanos.

Como aconteceu isto? É o que procura descrever Gill Bejerano (Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, Estados Unidos) e sua equipe. "A morfologia simplificada do pênis" no homem teria favorecido "estratégias monogâmicas de reprodução entre os primatas", revelam os pesquisadores na revista científica britânica Nature.

A ausência na glande de protuberâncias de queratina, presentes entre muitos outros mamíferos, reduziu a sensibilidade tátil do pênis, e poderia aumentar a duração da cópula no homem, em relação a outras espécies, explicam.

A sequência de DNA perdida pelo homem desempenhava igualmente um papel no desenvolvimento de pelos.

Uma outra região do DNA desaparecida no homem estaria próxima a um gene (dito supressor de tumor) que impede o crescimento de neurônios numa região particular do cérebro. Sem poder mais se expressar (produzir a molécula prevista), esse gene pôde contribuir para o desenvolvimento de um cérebro maior nos humanos.

A equipe de Gill Bejerano identificou 510 sequências de DNA ausentes no homem, mas amplamente conservadas entre os chimpanzés e outras espécies. Trata-se, essencialmente, de DNA que não fornece o programa de síntese de uma proteína. Este DNA perdido servia para controlar a expressão de genes próximos envolvidos nos sinais hormonais e nas funções do cérebro.

A perda de pequenas sequências regulatórias, mais do que os genes que elas controlam, pode acarretar mudanças muito sutis.

"A maior parte, não a totalidade, destas regiões estão igualmente ausentes no genoma do Neandertal, o que indica que estas supressões de DNA aconteceram há mais de 500 mil anos", precisa David Kingsley, um dos autores do estudo.

Anunciada descoberta de predador mais antigo que dinossauros no RS

31/03/2011 - 20h33 http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/

Do UOL Ciência e Saúde*

Em São Paulo

 



Pesquisadores anunciaram nesta quinta-feira (31), em Porto Alegre, a descoberta de uma nova espécie, batizada de Decuriasuchus quartacolonia, um predador com hábito social mais antigo que os dinossauros. O animal representa a mais antiga evidência de comportamento gregário em arcossauros, grupo que congrega crocodilos e aves.

A descoberta foi feita por equipes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS).

O pesquisador Marco Aurélio Gallo de França, orientado pelo professor Max Langer, do Laboratório de Paleontologia da FFCLRP, foi um dos responsáveis pela preparação e descrição do Decuriasuchus quartacolonia. “Apesar de serem muito parecidos com alguns dinossauros carnívoros, os membros deste grupo são, na verdade, parentes distantes dos crocodilos atuais”, conta. ”Além de representar uma espécie nunca antes descoberta pela ciência, a importância deste novo achado está na maneira como os fósseis se preservaram.”

Foram encontrados dez esqueletos da mesma espécie, sendo nove deles posicionados uns sobre os outros. Outro fato que surpreendeu os pesquisadores é que até esta descoberta pensava-se que tais predadores de topo de cadeia alimentar viviam de forma isolada nos ecossistemas triássicos. “Esta aglomeração indica que, quando vivos, estes possuíam um hábito social mais complexo, possivelmente envolvendo atividades em grupo, como a caça”, explica França.

Desde a descoberta dos fósseis até as conclusões que foram publicadas, também na semana passada na versão online da revista alemã Naturwissenschaften, foram cerca de dez anos. No início de 2001, os paleontólogos Jorge Ferigolo, Ana Maria Ribeiro e Ricardo Negri, do Museu de Ciências Naturais (MCN) da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB-RS) encontraram os dez esqueletos dessa nova espécie, numa superfície rochosa exposta, no município de Dona Francisca, região da Quarta Colônia, no interior do Rio Grande do Sul.

Espécie

Na descoberta, diz França, os fósseis já indicavam ser crânios de predadores do período Triássico (cerca de 240 milhões de anos atrás). Os três pesquisadores retiraram do local um bloco de quase meia tonelada e levaram para o Museu. Mas a preparação e os estudos desse material só tiveram início em 2007, pelo próprio professor Jorge Ferigolo, do Museu de Ciências Naturais da FZB/RS, em parceria com França e Langer, da FFCLRP-USP. Após quatro anos de estudos, os pesquisadores concluíram que os fósseis encontrados em 2001 representam uma nova espécie de predador do triássico, medindo cerca de 2,5 metros de comprimento, pertencente ao grupo denominado de Rauisuchia.

Por terem sido encontrados em forma de aglomeração, dez esqueletos juntos, e por serem do grupo dos arcossauros, na qual pertencem também os crocodilos e as aves, os pesquisadores batizaram a nova espécie de Decuriasuchus quartacolonia.

França explica que “Decuria” é referência à unidade do exército romano constituída por 10 soldados, como no caso dos 10 esqueletos achados na superfície rochosa exposta; “suchus” é um termo grego que se refere ao deus egípcio com cabeça de crocodilo, fazendo referência ao posicionamento da espécie na linhagem pró-crocodiliana; e, finalmente, “quartacolonia” refere-se à região no interior do estado do Rio Grande do Sul onde foram encontrados os fósseis, denominada de Quarta Colônia por ser a quarta região a abrigar os imigrantes italianos no século passado.

“Os indícios mais antigos de comportamento social entre espécies da linhagem pró-crocodiliana e dos dinossauros são cerca de 10 milhões de anos mais recentes que as rochas nas quais foram encontradas o Decuriasuchus quartacolonia. Assim, com seus 240 milhões de anos, esta se trata da espécie mais antiga possuindo hábitos sociais complexos entre os parentes distantes dos crocodilomorfos e dos dinossauros”, conclui França.


*Com informações da Agência USP de Notícias

 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Homem moderno emigrou da África há menos de 100 mil anos, diz estudo

27/01/2011 AFP http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/


O Homo sapiens emigrou da África há menos de 100 mil anos, isto é, muito antes do que se pensava até agora, revelam ferramentas descobertas na península arábica, segundo trabalho que será publicado na edição desta sexta-feira (28) da revista científica americana Science.

A presença do homem moderno na península arábica pode remontar a 125 mil anos, segundo a equipe internacional de pesquisas chefiada por Hans-Peter Uerpmann, da Universidade Eberhard Karls em Tübingen, Alemanha.

O período no qual o homem moderno começou a emigrar do continente africano e a cronologia de sua dispersão pelo Mediterrâneo e ao longo da costa da península arábica têm sido tema de debate há tempos.

No entanto, a maioria dos vestígios e rastros descobertos até o momento levava a crer que esta migração teria ocorrido há 60 mil anos.

A equipe de cientistas, chefiada por Simon Armitage do Royal Holloway da Universidade de Londres, descobriu um conjunto de ferramentas no sítio arqueológico de Jebel Faya, nos Emirados Árabes Unidos, em particular objetos de sílex talhados em ambos os lados para cortar ou cavar, machados sem empunhadura e raspadeiras.

Os cientistas começaram a escavar em 2003 e inicialmente encontraram artefatos da Idade do Ferro, do Bronze e do Neolítico, mas depois descobriram estas ferramentas que remontam ao Paleolítico médio, período que se estende de 300 mil até 30 mil anos atrás.

Os arqueólogos recorreram a uma técnica chamada luminiscência por estímulo óptico, que permite medir há quanto tempo um objeto não está exposto à luz. Assim determinaram que estas ferramentas de pedra remontam a um período que vai de 100 mil a 125 mil anos.

Orangotangos são mais diversos geneticamente do que se pensava, mostra análise de DNA

26/01/2011 AFP http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/


Orangotango no zoológico de Jacarta; cientistas que acabam de concluir o primeiro exame de DNA da espécie em risco de extinção



Por Marlowe Hood 

Os orangotangos são muito mais diversos geneticamente do que se pensava, uma descoberta que pode ajudar em sua sobrevivência, afirmam cientistas que acabam de concluir o primeiro exame de DNA da espécie de macaco em risco crítico de extinção.

O estudo, publicado na edição desta quinta-feira da revista científica Nature, também revela que o símio - conhecido como "o homem da floresta" - quase não evoluiu nos últimos 15 milhões de anos, em forte contraste com o Homo sapiens e seu primo mais próximo, o chimpanzé.

Antes amplamente distribuídos pelo sudeste da Ásia, apenas duas populações do símio inteligente e escalador de árvores vivem na natureza, ambas em ilhas da Indonésia.

De 40 mil a 50 mil indivíduos vivem em Bornéu, enquanto em Sumatra o desmatamento e a caça fizeram reduzir uma comunidade que antes chegava a ter 7.000 indivíduos, segundo a União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Segundo o estudo, estes dois grupos se separaram geneticamente por volta de 400 mil anos atrás, consideravelmente depois do que se pensava, e hoje constituem espécies separadas, embora com relacionamento próximo: o Pongo abelii (Sumatra) e o Pongo pygmaeus (Bornéu).

Um consórcio internacional de mais de 30 cientistas decodificou o sequenciamento completo do genoma de uma fêmea de orangotango de Sumatra, chamada Susie.

Eles, então, completaram as sequências de outros 10 adultos, cinco de cada população.

"Nós descobrimos que o orangotango médio é mais diverso, geneticamente falando, do que o homem médio", relatou o chefe das pesquisas, Devin Locke, geneticista evolutivo da Universidade de Washington no Missouri.

Os genomas de humanos e orangotangos se justapõem em 97%, enquanto que o de humanos e chimpanzés, em 99%, afirmou.

Mas a grande surpresa foi que a população de Sumatra, consideravelmente menor, demonstrou ter mais variações no DNA do que seu primo comum de Bornéu.

Embora perplexos, os cientistas disseram que isto pode aumentar as chances de sobrevivência da espécie.

"Sua variação genética é uma boa notícia porque, a longo prazo, permite que mantenham uma população saudável" e ajudará a dar forma aos esforços de conservação, explica o co-autor do estudo, Jeffrey Rogers, professor do Baylor College de Medicina.

No fim das contas, no entanto, o destino deste grande símio - cujo comportamento e as expressões lânguidas às vezes parecem assustadoramente humanas - dependerá da gestão que fizermos da natureza, afirmou.

"Se a floresta desaparecer, então a variação genética não importará. O habitat é absolutamente essencial", explicou.

"Se as coisas continuarem como estão nos próximos 30 anos, não teremos orangotangos na selva", advertiu.

Os cientistas também ficaram assombrados pela estabilidade persistente do genoma do orangotango, que parece ter mudado muito pouco desde que se ramificou para um caminho evolutivo separado.

Isto significa que a espécie é geneticamente mais próxima do nosso ancestral comum do qual se supõe que todos os grandes símios tenham se originado, de 14 a 16 milhões de anos atrás.

Uma pista possível para a falta de mudanças estruturais no DNA do orangotango é a relativa ausência, na comparação com os humanos, de marcadores genéticos conhecidos como "Alu".

Estes curtos segmentos de DNA compõem cerca de 10% do genoma humano - por volta de 5.000 - e podem aparecer em lugares imprevisíveis para criar novas mutações, algumas das quais persistem.

"No genoma do orangotango, nós encontramos apenas 250 novas cópias de Alu em um período de tempo de 15 milhões de anos", disse Locke.

Os orangotangos são os únicos grandes símios a viver principalmente em árvores. Na natureza, eles podem viver de 35 a 45 anos e em cativeiro, mais 10 anos. As gêmeas dão à luz, em média, a cada oito anos, o maior intervalo entre nascimentos entre os mamíferos.

Uma pesquisa anterior demonstrou que os grandes símios não são apenas adeptos de fazer e usar ferramentas, mas são capazes de ter aprendizado cultural, o que antes se pensava ser uma característica exclusivamente humana.

Trilhas de aves pré-históricas são mapeadas no Alasca

01/02/2011 REUTERS http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/





Pegadas fossilizadas de duas aves pré-históricas recém-descobertas foram encontradas no Parque Nacional Denali, no Alasca (EAU).

O paleontólogo Tony Fiorillo, curador do Museu de Natureza e Ciência em Dallas, disse à Reuters que várias espécies deixaram pegadas naquela região ártica. "O céu de Denali era um lugar bastante movimentado."

As duas espécies recém-descobertas foram batizadas por Fiorillo e sua equipe: Magnoavipes denaliensis, incorporando o nome do parque para uma ave que deixou pegadas particularmente grandes, e Gruipeda vegrandiunis, nome que alude à pequena dimensão dessas pegadas.

Fiorillo publicou suas descobertas na atual edição da revista "Journal of Systematic Paleontology". Pesquisas anteriores determinaram que pterossauros --répteis alados e voadores-- também viveram nessa região durante o período Cretáceo, disse o paleontólogo.

O Parque Nacional Denali, um dos destinos turísticos mais populares do Alasca, é também um dos melhores lugares do mundo para a descoberta de pegadas de aves pré-históricas, por causa das suas formações rochosas. "É a maior biodiversidade (do mundo) representada pelas pegadas", afirmou.

Algumas dessas pegadas são iguais às de espécies que viveram no mesmo período em latitudes mais meridionais da América do Norte e Ásia, o que indica que no Cretáceo elas faziam grandes migrações para procriar e nidificar no Alasca durante o verão, como acontece até hoje.

"Não é bonito pensar que no Cretáceo, 70 milhões de anos atrás, o Alasca pode ter servido para o mesmo tipo de necessidades aviárias que hoje?", disse Fiorillo, que desde 2006 faz escavações de pegadas pré-históricas em Denali, e antes disso já estudava outros fósseis no local.

Ele participou da primeira descoberta de pegadas de dinossauros no parque, em 2005, perto da estrada mais movimentada de Denali.

Segundo a pesquisa, além de aves Denali tinha também uma abundância de hadrossauros --dinossauros herbívoros, com bico de ornitorrinco.

Fiorilllo e seus colegas das Universidades do Texas e do Alasca-Fairbanks estimam que o Alasca tenha tido uma população de até 500 mil hadrossauros simultaneamente, o que equivale mais ou menos à atual população de caribous (um tipo de alce) nesse Estado norte-americano.

O clima no Alasca naquela época era bem mais ameno do que hoje. "Algo entre as temperaturas anuais de Calgary (Canadá) e Portland, Oregon (noroeste dos EUA)", comentou.

As descobertas foram apresentadas em uma conferência da União Americana de Geofísica, no mês passado, em San Francisco.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cientistas analisam tipos de alga que teriam um bilhão de anos


Para especialistas, descoberta pode mudar radicalmente teorias sobre origem das plantas verdes atuais.

23/11/2010 http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/

Palmophyllum (Foto: LD Ritchie via BBC)

 

 Verdigellas (Foto: M & D Littler / Smithsonian
via BBC)


Cientistas que estudavam duas espécies de algas que crescem em regiões profundas dos oceanos concluíram que elas podem ter surgido a cerca de um bilhão de anos e seriam verdadeiros "fósseis vivos".

A descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e Bélgica, pode transformar as teorias sobre quais plantas seriam as precursoras de todas as plantas verdes existentes hoje.

Os estudiosos recolheram amostras de algas que já eram conhecidas e pertenciam a dois gêneros, Palmophyllum e Verdigellas.

Elas foram encontradas a cerca de 200 metros no fundo do mar e, segundo os estudiosos, possuem pigmentos especiais que permitem aproveitar a luz que chega a essa profundidade para fazer a fotossíntese.

Os cientistas foram os primeiros a analisar o genoma dos dois organismos. E foi esta análise que revelou a impressionante origem dessas algas.

As conclusões da equipe foram publicadas na revista científica Journal of Phycology.

Diferentes
As plantas verdes até hoje foram classificadas em dois grandes grupos, ou clados - grupos de espécies com um ancestral comum.

Um deles inclui todas as plantas terrestres e as algas verdes com estruturas mais complexas, conhecidas como carófitas. O outro clado, o das clorófitas, abrange todas as algas verdes restantes.

A maioria dos estudos feitos anteriormente tentou determinar quais plantas antigas deram origem às carófitas, mas houve poucas pesquisas sobre a origem das outras algas verdes.

O cientista Frederick Zechman, da California State University, em Fresno, e sua equipe coletaram e estudaram amostras de Palmophyllum encontradas na região da Nova Zelândia (Oceano Pacífico), e Verdigellas da região oeste do Atlântico.

Elas são bastante peculiares, porque embora sejam multicelulares, cada uma de suas células não parece interagir com as outras de forma significativa.

Cada célula está acomodada sobre uma base gelatinosa que pode dar origem a formas complexas, como caules.

Os cientistas analisaram o DNA nas células das algas e concluíram que, em vez de pertencer ao clado das clorófitas, as duas espécies pertenceriam, na verdade, a um grupo novo e distinto de plantas verdes, que é incrivelmente antigo.

Algas analisadas têm estrutura celular diferente de outras

Os cientistas acham que elas são tão diferentes, que deveriam ser classificadas em uma ordem própria.

'Ao compararmos essas sequências genéticas aos mesmos genes em outras plantas verdes, descobrimos que essas algas verdes estão entre as primeiras plantas verdes divergentes, ou seriam talvez a primeira linhagem divergente de plantas verdes', disse Zechman à BBC.

Se este for o caso, segundo o cientista, essas algas poderiam ter surgido há um bilhão de anos.

Progenitoras das Plantas
Para ele, a descoberta poderia 'transformar' nossa visão sobre que planta verde foi o ancestral de todas as que existem hoje.

Até o presente, os cientistas acreditavam que a progenitora das plantas verdes seria uma planta unicelular com uma estrutura em forma de cauda chamada flagelo, que permitia que a planta se movesse na água.

Mas a equipe de Zechman não encontrou flagelos nas algas observadas, o que pode ser uma indicação de que as plantas verdes mais antigas do planeta podem não ter tido flagelos.

Zechman disse que as algas estudadas por sua equipe podem ser qualificadas como 'fósseis vivos', embora não se tenha conhecimento da existência de fósseis reais dessas algas.

Sua habilidade de utilizar luz de intensidade baixa permite que cresçam em águas profundas - o que pode ser a chave de sua impressionante longevidade.

Em profundezas como essas, as plantas sofrem menos perturbações provocadas por ondas, variações de temperatura e por predadores herbívoros que poderiam se alimentar delas.


 

Ancestral único de musgo colonizou noroeste da América do Norte


Espécie seria exemplo mais extremo de planta com capacidade de colonizar áreas com climas variados.

18/01/2011 http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/



O musgo Sphagnum subnitens (Foto: E. Karlin )



Cientistas americanos descobriram que todos os exemplares de uma espécie de musgo que cobre uma extensão de mais de 4 mil quilômetros no noroeste da América do Norte descendem de um mesmo indivíduo, um ancestral único.


Este é o exemplo mais extremo observado até hoje da capacidade de uma única planta de colonizar vastas áreas com climas diferenciados, segundo os especialistas. Ou seja: trata-se do grupo mais alastrado de plantas geneticamente uniformes já encontrado.

A planta, um tipo comum de musgo chamado Sphagnum subnitens, teria conquistado o noroeste da América do Norte em menos de 300 anos. O exemplo mostra como um genoma "de uso genérico" pode permitir que uma mesma planta cresça em uma variedade de climas.


Como parte do mesmo estudo, eles descobriram também que apenas dois ancestrais desse mesmo musgo originaram todos os descendentes daquela espécie existentes hoje na Nova Zelândia.


Ambos as descobertas são "extremamente surpreendentes", dizem os ecólogos responsáveis pela pesquisa. Uma das razões para tanta surpresa é que o mesmo não ocorreu na Europa, onde vivem uma grande variedade de musgos S. subnitens. Detalhes sobre o estudo foram publicados na revista científica "Molecular Ecology".


A princípio, Eric Karlin, do Ramapo College, em Nova Jersey, e colegas da Binghamton University, no Estado de Nova York, e da Duke University, em Durham, na Carolina do Norte, estavam estudando a distribuição global do musgo S. subnitens. "Como outros musgos de turfa, a planta cresce em pântanos e brejos", disse Karlin à BBC.


Análise genética
Alcançando poucos centímetros de altura, a planta forma carpetes que variam em cor do verde ao vermelho e marrom. "Ela não é incomum", ele explica, "mas tem uma distribuição estranha". O musgo é encontrado em vastas regiões da Europa, na costa noroeste da América do Norte e também na Nova Zelândia, onde habita a costa oeste da Ilha Sul. "Antes desse estudo, não havia análises para avaliar os relacionamentos genéticos entre as plantas nessas populações incrivelmente separadas."


Karlin e seus colegas fizeram precisamente isso, medindo também a quantidade de variedades genéticas nas populações de musgo de turfa presentes em cada continente. "Todas as plantas S. subnitens no noroeste da América do Norte parecem ter descendido de apenas um ancestral", disse Karlin. "100% dos genes foram contribuição de um indivíduo."


Exemplares geneticamente idênticos do musgo S. subnitens habitam desde a costa do Estado americano do Oregon até o oeste das Ilhas Aleutas, uma distância de cerca de 4.115 km.


Na Nova Zelândia, a população foi originada por dois ancestrais diferentes. Um dado interessante, segundo os cientistas, é que as duas correntes não se misturaram. "Todas as plantas S. subnitens na Nova Zelândia são cópias genéticas ou de um ou do outro ancestral original".


O musgo de turfa parece capaz de colonizar muitas áreas em vastas regiões geográficas devido à sua forma complicada de se reproduzir.

Métodos de reprodução
Musgos podem se reproduzir de várias maneiras. Uma única planta pode clonar a si própria por meio de reprodução assexuada.


Eles também se reproduzem de forma sexuada. Nos humanos e na maioria dos animais, isso ocorre quando o espermatozoide do macho fertiliza o óvulo da fêmea. Nesse caso, macho e fêmea fornecem, cada um, 50% do material genético da cria.


Musgos de turfa podem se reproduzir dessa forma, ou seja, duas plantas diferentes originam uma terceira cujo material genético é uma combinação dos DNAs das plantas que a geraram. Outra forma de reprodução sexuada encontrada nos musgos é a seguinte: o mesmo ancestral produz o gameta masculino e feminino.


Os gametas masculino e feminino podem ser geneticamente diferentes, devido à forma como o material genético é alternado durante sua criação.


Mas o musgo S. subnitens possui ainda um quarto método de reprodução: uma única planta produz gametas masculinos e femininos que são geneticamente idênticos.


Quando os gametas masculino e feminino se juntam, produzem descendentes que contêm duas cópias de DNA idêntico. Isso significa que os descendentes são geneticamente iguais aos pais, embora não sejam, tecnicamente, clones.


Esse tipo especial de reprodução sexuada ocorre apenas em alguns tipos de musgo e em algumas plantas sem sementes, como as samambaias. Karlin e sua equipe acreditam que isso tenha ocorrido na América do Norte e na Nova Zelândia.


Uma única planta fundadora chegou à América do Norte, vinda da Europa, provavelmente no período entre o início do século 18 e o século 20. Ela se reproduziu, espalhando cópias geneticamente idênticas de si mesma por toda a costa noroeste.


"Podemos dizer que este é o grupo mais alastrado de plantas geneticamente uniformes de que se tem conhecimento", disse Karlin.


Na Nova Zelândia, duas plantas diferentes chegaram e se alastraram individualmente da mesma forma. Os cientistas comentam que nenhum exemplar do musgo S. subnitens encontrado na América do Norte ou na Nova Zelândia mostra sinais de variação genética em relação aos ancestrais originais.


A aparente saúde dessas populações de musgo de turfa indica que a planta não sofreu em consequência da ausência de diversidade em sua composição genética - um outro dado surpreendente. Karlin explica: "Isso contrasta grandemente com muitos animais e plantas", disse o cientista.


Nos animais, por exemplo, procriações consanguíneas tendem a produzir concentrações de mutações genéticas indesejadas, comprometendo a saúde evolucionária da espécie.


Mas o musgo S. subnitens demonstra como muitos nichos ecológicos podem ser ocupados por um único genoma, mesmo que ele tenha sido copiado várias vezes. "Parece que a espécie possui um genótipo 'de multiuso' que pode florescer sem se especializar em cada região que habita".