segunda-feira, 9 de julho de 2012

Novos estudos refutam existência de vida com base em arsênio






Lago Mono, na Califórnia (Foto: AP Photo/Ben Margot, arquivo)


Em 2010, pesquisa da Nasa descobriu forma de vida desconhecida.
Pesquisas foram publicadas pela revista "Science".


Dois estudos publicados neste domingo (8) pela revista “Science” refutam uma descoberta de 2010, que descrevia bactérias com o elemento químico arsênio em sua formação.

A vida como conhecemos só pode ser formada por carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. A existência de uma bactéria com arsênio em sua formação significaria a possível existência de formas de vida bem diferentes, o que incluiria seres fora da Terra.

Em dezembro de 2010, a revista “Science” publicou uma pesquisa assinada por Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, que descrevia uma bactéria encontrada no Lago Mono, no estado norte-americano da Califórnia. Essa bactéria teria o arsênio no lugar do fósforo, em sua composição.

Desde então, muitos cientistas vêm questionando a pesquisa. Neste domingo, foram publicados resultados obtidos por duas equipes diferentes, que fizeram testes independentes com a mesma bactéria. Nenhuma das duas encontrou arsênio na composição da bactéria, e os autores de ambas acreditam que uma contaminação possa ter alterado os resultados do estudo original.

Segundo uma nota emitida pela revista “Science”, os novos trabalhos mostram que a espécie “não quebra as duradouras regras da vida, ao contrário do que Wolfe-Simon tinha interpretado com os dados de seu grupo”.

Contudo, Felisa Wolfe-Simon continua segura de que suas conclusões iniciais estão corretas. Por e-mail, ela informou à agência Associated Press que “não há nada nos dados desses novos artigos que contradiga nossos dados publicados”.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Evolução dos pássaros encerrou era dos insetos gigantes, diz estudo







Fóssil de insetos gigantes pré-históricos (Foto: Wolfgang Zessin/UCSC/Divulgação)


Corpo menor ajudou insetos a fugir de pássaros predadores.

Maior inseto chegou a ter 70 centímetros há 300 milhões de anos.



Um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que a evolução dos pássaros foi determinante para o fim da era dos insetos gigantes na Terra. Segundo os cientistas, a época em que as aves começaram a estabelecer seu lugar nos céus é a mesma na qual os insetos grandalhões perderam espaço, há 150 milhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta semana na edição online da revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências.

Insetos gigantes viveram nos céus pré-históricos em uma época em que a atmosfera da Terra era rica em oxigênio. Pesquisas anteriores já tinham sugerido que o tamanho dos insetos tinha relação com altas concentrações de oxigênio – cerca de 30%, comparada aos atuais 21%, em média.

Há 300 milhões de anos, os insetos gigantes chegaram ao maior tamanho já documentado: 70 centímetros.

Mas à medida que os pássaros surgiram, os insetos se tornaram menores mesmo com o aumento de oxigênio na atmosfera, diz a pesquisa.

Segundo o autor do estudo, Matthew Clapham, professor de Terra e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, com os pássaros predatórios na ‘cola’, necessidade de ter mais mobilidade foi a base da evolução do voo desses insetos, favorecendo o tamanho mais reduzido do corpo.

A equipe da Clapham comparou o tamanho das asas de mais de 10.500 fósseis de insetos com níveis de oxigênio do planeta em centenas de milhares de anos.

O pesquisador enfatiza, no entanto, que o estudo focou as mudanças a partir dos maiores insetos já conhecidos.

“Em torno do final do período Jurássico e início do Cretáceo, cerca de 150 milhões de anos atrás, de repente o nível de oxigênio sobe, mas o tamanho do inseto diminui. E isso coincide de forma impressionante com a evolução dos pássaros”, diz Clapham.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Relógio biológico evoluiu de forma similar em todos os seres vivos








Em Londres

O relógio circadiano, que rege o ritmo biológico dos seres vivos e se ativa a cada 24 horas, evoluiu há 2.500 milhões de anos de forma parecida em todos os seres vivos, informou nesta quarta-feira a revista britânica Nature.

Uma pesquisa liderada pelo neurocientista Akhilesh Reddy, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), mostra pela primeira vez que o chamado relógio biológico evoluiu de forma muito parecida desde o início da vida em todos os organismos, inclusive as bactérias, e que suas características são similares.


"Até agora se pensava que o relógio circadiano dos diferentes organismos tinha evoluído separadamente, e que cada um estava controlado por genes e proteínas diferentes. Nosso trabalho unifica a forma na qual o relógio interno controla o tempo", explicou Reddy à Agência Efe.


O relógio circadiano, responsável da regulação de um grande número de processos biológicos como o apetite, o sono e a vigília, está presente em todas as células, menos nas cancerígenas e funciona graças à produção de uma proteína denominada peroxirredoxina.


Os pesquisadores associam alterações nesta proteína com desordens como a obesidade, o diabetes, a insônia, a depressão, as doenças coronárias e o câncer, e por isso confiam que este estudo permitirá futuros avanços em relação a estas doenças.


Em um estudo divulgado no ano passado, Reddy já tinha conseguido demonstrar que os humanos não eram os únicos possuidores deste relógio biológico, que também pode ser encontrado em todos os demais organismos cujo DNA se encontra no núcleo das células, como animais e plantas.


Mediante a observação das mudanças químicas que a peroxirredoxina sofre durante o dia e a noite em ratos, moscas da fruta, fungos e bactérias, sua equipe descobriu agora que até as formas de vida mais primitivas, inclusive organismos sem núcleo, também estão reguladas por este relógio interno.


"É muito provável que todos os seres vivos tenham um mecanismo similar para medir o tempo em ciclos de 24 horas, o que representa uma descoberta completamente nova que nos permitiria investigar os ritmos circadianos em organismos nos quais não se suspeitava que os tivessem", declarou Reddy.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dinossauros herbívoros já estavam em decadência quando asteroide caiu na Terra







Até o fim do Cretáceo, os grandes dinossauros herbívoros estavam em decadência



Os grandes dinossauros herbívoros já estavam em decadência, ao contrário dos carnívoros, quando um meteorito provocou o desaparecimento de todos esses répteis ao cair na Terra há 65 milhões de anos, indica um estudo publicado nesta terça-feira (1º).
"Muita gente acha que a extinção dos dinossauros se deveu a um asteroide que matou todos eles", afirma o paleontólogo do Museu de História Natural de Nova York, Steve Brusatte.
"Hoje podemos dizer que, provavelmente, as coisas foram mais complicadas", acrescentou.
Alguns cientistas acreditam que os dinossauros terrestres desapareceram depois que um meteorito atingiu a Terra no período Cretáceo-Terciário.
Já o estudo publicado pela Nature Communications se baseia na comparação das estruturas dos esqueletos de 150 espécies diferentes de dinossauros terrestres para ver como mudaram com o tempo. O objetivo era saber se uma espécie declinava ou, ao contrário, estava aumentando suas possibilidades de sobrevivência.
Dessa forma, chegou0se à conclusão de que os grandes herbívoros com chifres ou bico de pato reduziram sua variedade durante os 12 últimos milhões de ano do Cretáceo.
"Estes dinossauros estavam se tornando cada vez mais parecidos uns com os outros, estavam perdendo a variedade. No geral, quando se vê uma redução da anatomia de um tipo, isso quer dizer que o grupo está em dificuldades", assegurou.
Ao contrário, os grupos que aumentam sua variedade têm maiores possibilidades de sobreviver porque podem ocupar novos nichos de habitat ou adaptar-se melhor à mudança, segundo o pesquisador.
Até o fim do Cretáceo, os grandes dinossauros herbívoros estavam em decadência, mas os grandes carnívoros e os herbívoros de tamanho médio prosperavam.
"O que se pode dizer com seriedade agora é que, quando o asteroide caiu e começaram as erupções vulcânicas, não atingiram um mundo no qual tudo estava indo bem, um mundo estático", avaliou Brusatte.
"Naquela época, os dinossauros, ou pelo menos alguns deles, conheciam importantes mudanças evolutivas e pelo menos esses herbívoros grandes estavam em decadência", concluiu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Seleção natural afeta humanos mesmo com vida em sociedade

 

 

 

 

Seleção sexual continua atuando, apesar da prática da monogamia.
Conclusão é de estudo apresentado pela revista científica "PNAS".

 

 

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo

Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) pela revista científica “PNAS”, da Academia Americana de Ciências, indica que o ser humano continua sendo influenciado pela evolução, mesmo com as mudanças culturais ocorridas nos últimos 10 mil anos, desde que a Revolução Agrícola levou ao surgimento das civilizações. 
Mesmo em uma sociedade monógama, os humanos estão sujeitos à seleção sexual, um aspecto essencial na teoria da evolução de Charles Darwin. Por esse conceito, o sucesso de um indivíduo é medido pela quantidade de descendentes que ele deixa. Assim, suas características genéticas são deixadas para as gerações seguintes e tendem a se perpetuar na espécie.
“É como um livro. Se ele é bom, é reeditado várias e várias vezes”, comparou Alexandre Courtiol, pesquisador do Instituto Wissenschaftskolleg de Berlim, na Alemanha, um dos autores do estudo.
Segundo ele, o estudo serve como uma evidência contra a suposição de que a vida em sociedade teria deixado os humanos “imunes” à evolução.
A pesquisa foi feita com base em dados de cerca de 6 mil finlandeses que viveram entre os anos de 1760 e 1849. As informações mantidas pela Igreja dizem respeito a mortes, nascimentos, casamentos e situação econômica de cada um.
Foi o suficiente para que a equipe internacional de pesquisadores investigasse o efeito da seleção sexual, analisando o número de filhos de cada indivíduo.
A equipe de Courtiol chegou à conclusão de que os principais fatores que levaram à variação no sucesso reprodutivo dos indivíduos foram a sobrevivência aos primeiros anos de vida e a fertilidade. A riqueza não provocou diferenças significativas neste aspecto.
De forma geral, a possibilidade de seleção detectada nesta população humana está de acordo com medições feitas em outras espécies.
Courtiol afirmou, no entanto, que ainda não é prever como evolução pode afetar o futuro dos seres humanos. 

Estudo mostra seleção natural entre humanos em cidade canadense

 

 

 

Pesquisa analisou idade com que mulheres tiveram primeiro filho.
Segundo o autor, esse é o primeiro caso que comprova mudança genética.

 

 

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo

Um estudo publicado nesta segunda-feira mostra que os seres humanos estão em evolução e que é possível haver mudanças genéticas de uma geração para a outra. A descoberta contraria a hipótese de que os avanços tecnológicos e culturais teriam neutralizado os efeitos da seleção natural.
Os pesquisadores da Universidade de Quebec, em Montreal, Canadá, chegaram a essa conclusão depois de estudar dados das mulheres da cidade de Ile aux Coudres, também no Canadá, durante 140 anos. De 1799 a 1940, quando o lugar era habitado por fazendeiros e pescadores, a idade média em que elas tiveram o primeiro filho caiu de 26 para 22 anos.
Engravidar mais jovem é uma vantagem biológica, pois permite a formação de famílias maiores e a gestação é mais saudável. “No contexto cultural deles, isso não era um problema e não havia controle de natalidade”, disse ao G1 Emmanuel Milot, autor principal do estudo publicado pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A análise estatística mostrou que a redução da idade média do primeiro parto foi consequência de uma mudança genética causada pela seleção natural. “Esse é o primeiro caso que comprova mudança genética”, afirmou Milot. Segundo ele, outros estudos recentes também indicam que a seleção natural ocorre entre humanos, mas nenhum tinha confirmado as mudanças genéticas.
O artigo sugere ainda que as políticas públicas relacionadas a questões como demografia e saúde precisam levar em conta as mudanças genéticas que podem ocorrer na população.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Biólogos descobrem 24 espécies de lagarto, e todas estão ameaçadas


Tipo de lagarto nativo da Jamaica (Foto: Joseph Burgess, Penn State University)



Tipo de lagarto nativo de Antigua (Foto: Karl Questel, Penn State University)

 

 

Animais da família 'Scincidae' são nativos do Caribe.
Predador reduz a população dos lagartos desde o século 19.


Um estudo publicado nesta segunda-feira (30) descreve 24 espécies ainda desconhecidas de lagarto que vivem na região do Caribe. Ao mesmo tempo em que entram nas páginas da “Zootaxa”, revista científica que traz a novidade, as espécies já vão para a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).


Os lagartos recém-descobertos são todos da família Scincidae. Embora sejam semelhantes aos lagartos comuns, eles possuem características próprias. Alguns destes lagartos, em vez de pôr ovos, geram os filhotes dentro do ventre.

Blair Hegdes, pesquisador da Universidade da Pensilvânia e autor do estudo, acredita que esta peculiaridade esteja entre os fatores que colocaram em risco a existência destes animais. As fêmeas grávidas são mais lentas e vulneráveis aos predadores.

O principal predador dos lagartos é o mangusto, um mamífero carnívoro de pequeno porte. Os colonizadores levaram este animal da Índia para a região no século 19 para controlar o aumento da população de ratos, que tinham se tornado uma praga para as plantações de cana.

Além de atacar os ratos, os mangustos rapidamente incluíram os lagartos na dieta. A população dos répteis é muito pequena desde o início do século passado, por isso levou tanto tempo até que cientistas os descobrissem.

Os lagartos têm pequenas diferenças entre si que justificam a separação em tantas espécies. Desde o século 19, não havia na ciência a descrição de mais de 20 espécies de répteis de uma só vez.